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Dilma viaja à Argentina para se reunir com Cristina Kirchner

24 abr 2013
14h16
atualizado às 15h42
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A presidente Dilma Rousseff se reunirá na quinta-feira em Buenos Aires com a governante argentina, Cristina Kirchner, com quem discutirá delicados assuntos de investimentos e comércio, além de fazer um repasse geral das relações bilaterais. "Nós teremos uma pauta bastante ampla com a Argentina. Nós temos que discutir todas as relações: comerciais, os investimentos, toda a interação entre a economia brasileira e a economia argentina. Nós iremos discutir todos os assuntos", afirmou Dilma nesta semana.

Segundo fontes oficiais consultadas pela agência EFE, entre os pontos de maior preocupação nessa relação "estratégica" e "política" que o Brasil mantém com a Argentina, figuram as dúvidas que muitos empresários brasileiros têm sobre a economia do país vizinho.

A falta de certezas sobre as polêmicas medidas cambiais e outros aspectos das políticas econômicas do governo de Cristina Kirchner fizeram com que a Vale suspendesse um projeto de exploração de potássio no país. Neste aspecto, a mineradora argumentou, entre outros pontos, que essa suspensão foi adotada por causa das "distorções" no mercado de câmbio argentino, as quais aumentaram os investimentos previstos inicialmente em US$ 4 bilhões. 

A Argentina acusou a Vale de "violentar" seus compromissos e o caso gerou um conflito que, segundo fontes oficiais, está "em negociação" e será analisado a fundo neste encontro entre Dilma e a presidente argentina. O governo do país vizinho teme que o exemplo da Vale seja seguido por outras empresas brasileiras, que possui investimentos calculados em US$ 16 bilhões. Uma delas é a Petrobras, que, além disso, também criticou algumas mudanças nos marcos que regulam o setor de hidrocarbonetos no país vizinho.

Dilma também deverá abordar a preocupação do setor privado com a "acentuada" queda que tiveram suas exportações em direção à Argentina. Segundo dados oficiais, as vendas do Brasil destinadas ao seu principal sócio na América Latina registraram uma queda de 22% em 2012, quando o superávit se reduziu a US$ 1,5 bilhão.

A inversão no fluxo comercial se aguçou no primeiro trimestre deste ano, no que a Argentina passou a ter um superávit de US$ 82 milhões em sua relação com o Brasil. O fenômeno, segundo industriais brasileiros, obedece às restrições cambiais impostas na Argentina e à manutenção de polêmicas medidas tarifárias que travam o comércio.

O ministro das Relações Exteriores, Antonio Patriota, admitiu que o comércio com a Argentina é hoje "menos que satisfatório", com "áreas problemáticas que requerem uma maior atenção". Entre esses setores, citou o de calçados e têxteis, que foram "particularmente afetados por medidas restritivas" impostas pela Argentina, as quais deverão ser analisadas em conjunto por Dilma e Cristina Kirchner.

Patriota também reconheceu que existem "sinais de preocupação" por supostos "lucros a terceiros países" por parte da Argentina, que remetem a denúncias feitas por empresários brasileiros sobre algumas vantagens comerciais que o país vizinho estaria oferecendo à China. Em um recente comparecimento ao Senado, Patriota afirmou que, se houver um "desvio de comércio", esta seria uma prática "contrária às tentativas de fortalecimento do Mercosul", que inclui Uruguai, Venezuela e Paraguai, este último suspenso.

Em termos políticos, um dos assuntos na agenda dos governantes será justamente a situação do Paraguai no Mercosul após as eleições vencidas no último domingo por Horacio Cartes, que assumirá a Presidência no próximo mês de agosto. O Mercosul suspendeu o Paraguai em junho de 2012 depois da fulminante cassação do então presidente Fernando Lugo e, ao mesmo tempo, incorporou à Venezuela, que até então era vetada pelo Senado paraguaio.

A reunião entre Dilma e Cristina Kirchner estava prevista para o último dia 7 de março, mas foi postergada por causa da morte do presidente venezuelano Hugo Chávez, ocorrida dois dias antes.

EFE   
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