PUBLICIDADE

Dilma se esconde da imprensa e tem destino incerto há 24 horas

4 nov 2010 15h40
| atualizado às 17h15
Publicidade
Flavia Bemfica
Direto de Porto Alegre

"Para quem ficou na clandestinidade pelo tempo e na época em que a Dilma ficou, foi presa no regime militar e sobreviveu, escapar de jornalistas por uns dias é como tirar sorvete de criança. E, pode acreditar, ela está se divertindo", compara uma pessoa do círculo do ex-marido de Dilma Rousseff, Carlos Araújo, lembrando das diversas ocasiões em que, no passado, o casal se divertia despistando a imprensa. Há pouco mais de 24 horas, a presidente eleita, agora em uma situação bem diversa daquela vivida no final dos anos 60, está, de novo, "às escondidas". Isso porque, oficialmente, Dilma não está em lugar nenhum. Sumiu nesta quarta-feira (3), pouco depois das 12h, após conceder coletiva de imprensa ao lado do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Após o sumiço de Dilma, as informações se multiplicaram, mas as certezas só fazem escassear. Uma notícia - veiculada pela agência baiana de notícias A Tarde no início da noite de ontem e baseada em relatos de um funcionário da Infraero e de uma fonte do aeroporto - garante que a ex-ministra desembarcou em Ilhéus, no sul da Bahia, para descansar. Segundo esses relatos, a aeronave de prefixo PR-SPR teria pousado às 13h51 e deixado Dilma que, acompanhada de outras duas pessoas, teria embarcado em um carro preto para destino incerto.

Em Porto Alegre, onde residem a filha de Dilma, Paula, o neto, Gabriel, e o ex-marido, o advogado Carlos Araújo, familiares e pessoas próximas apenas sorriem. "É engraçado imaginar a Dilma em uma praia, no Nordeste. Não fecha. A Dilma sempre adorou descansar em Nova Iorque ou Paris. Mas, para o exterior ela não foi", revela um amigo da família. A família e os amigos estão blindados. A orientação é clara: nenhuma informação para a imprensa, que se divide em plantões em frente ao apartamento de Dilma, ao de Paula, e à residência de Araújo, todos na zona sul da capital gaúcha.

A casa de Araújo está aberta e seu carro na garagem. No apartamento de Paula as persianas das janelas da frente estão baixadas, mas ela entrou e saiu. O marido também. O apartamento de Dilma está completamente fechado. "E o apartamento de Higienópolis? Ninguém checou?", pergunta um pedetista em tom irônico. Repórteres tentam saber se o apartamento está alugado, se lá mora alguém, se poderia ser um refúgio viável. Nada.

Desde antes da eleição, Dilma havia estabelecido que retornaria a Porto Alegre na quarta-feira (3). Entre o sábado (30) e o domingo de votação (31), ela passou praticamente todo o tempo em que esteve em solo gaúcho ao lado da família. O estado de saúde de Araújo inspira cuidados, apesar de estar longe de ser considerado grave. Fumante inveterado e boêmio famoso, o ex-deputado sofre com um enfisema, que acabou por enfraquecer também seu coração.

Por isso, depois da emoção de domingo, Araújo e amigos teriam solicitado a Dilma que não seguisse direto para a capital gaúcha, de forma a evitar que o ex-marido passasse por mais agitações. Mas não há quem, no Rio Grande do Sul, acredite que ela deixe de ver a filha e o neto antes de retornar para Brasília, na segunda-feira (8). "A Dilma está tão surpresa quanto nós com o fato de ser, mesmo, presidente da República. Numa hora destas, você quer comemorar. E ela vai comemorar com dois seguranças?", resume uma conhecida de longa data.

Dilma fala à CNN sobre juros e guerra cambial:
Fonte: Especial para Terra
Publicidade