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Dilma pede reunião com Morales para discutir caso de senador

29 ago 2013
15h31
atualizado às 15h49
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O senador boliviano de oposição Roger Pinto Molina, 53 anos, está temporariamente em Brasília, na casa do advogado, no Lago Norte, bairro nobre da cidade
O senador boliviano de oposição Roger Pinto Molina, 53 anos, está temporariamente em Brasília, na casa do advogado, no Lago Norte, bairro nobre da cidade
Foto: Valter Campanato / Agência Brasil

A presidente do Brasil, Dilma Rousseff, pediu ao seu colega da Bolívia, Evo Morales, uma reunião para abordar o caso do senador da oposição boliviana que fugiu para Brasília, à margem da cúpula da Unasul no Suriname, confirmou nesta quinta-feira a ministra da Comunicação boliviana, Amanda Dávila.

"A presidenta do Brasil pediu uma reunião e o presidente já aceitou o pedido", escreveu Dávila em sua conta no Twitter.

Anteriormente, uma fonte do Congresso já havia mencionado esta reunião à imprensa após um encontro de Morales com congressistas de seu partido no palácio do Governo.

"Hoje, (Morales) vai ao Suriname para seguir sua agenda e lá aproveitará o encontro. Ele recebeu um telefonema da presidente (Dilma Rousseff)", declarou a presidente da Câmara dos Deputados da Bolívia, Betty Tejada.

Morales pediu ao Brasil a entrega de Pinto "à Justiça boliviana para que seja julgado como qualquer autoridade envolvida em corrupção".

O novo ministro das Relações Exteriores brasileiro, Luiz Alberto Figueiredo, disse, em Brasília, que Dilma é quem "conduz tudo o que está relacionado" com o caso Pinto.

Figueiredo não confirmou um eventual encontro entre os dois líderes no Suriname, mas admitiu que, em tais cúpulas, "há sempre um contato fluido" entre governantes.

Pinto fugiu na sexta-feira para o Brasil em um veículo diplomático e protegido por funcionários da embaixada brasileira em La Paz, onde estava asilado desde maio de 2012.

Senador boliviano causa crise diplomática
Roger Pinto Molina, um inflamado opositor do governo de Evo Morales, estava na embaixada brasileira em La Paz desde 28 de maio de 2012. O governo brasileiro concedeu asilo político ao senador dez dias depois, mas o parlamentar não podia deixar seu país, pois a Bolívia não deu a ele um salvo-conduto, alegando que Roger Pinto responde a vários processos por corrupção.

No dia 23 de agosto de 2013, no entanto, o senador fugiu da embaixada em um carro oficial escoltado por fuzileiros navais e foi até Corumbá, no Mato Grosso do Sul. Nesta cidade, foi recebido por agentes da Polícia Federal e, de lá, seguiu até Brasília em um avião privado enviado pelo senador brasileiro Ricardo Ferraço (PMDB-ES), presidente da Comissão de Relações Exteriores do Senado, que o esperou no aeroporto na madrugada do dia 25. Ferraço foi quem deu os primeiros detalhes sobre a saída de Roger Pinto da Bolívia, que para o governo de Evo Morales nada mais foi do que a "fuga" de um "criminoso comum".

O Brasil havia concedido asilo político ao opositor, mas o governo boliviano se negava a conceder salvo-conduto para que deixasse o país por sua situação judicial. O senador boliviano é alvo de vários processos por corrupção em seu país, já tendo sofrido uma condenação.

Antes de se instalar na embaixada do Brasil, Pinto entregou ao governo boliviano documentos sobre supostos atos de corrupção e ligações das autoridades com o narcotráfico.

Ao saber da situação, o então ministro de Relações Exteriores, Antonio Patriota, anunciou que o caso seria "investigado", seriam tomadas "as medidas administrativas e disciplinares" correspondentes e convocou para consultas o encarregado de negócios na embaixada em La Paz, Eduardo Saboia. O funcionário chegou a Brasília no dia 26 e, no aeroporto, disse a jornalistas que tinha "ajudado" o senador por razões humanitárias.

"Tomei a decisão porque havia um risco iminente para sua vida e uma ameaça à dignidade de uma pessoa", declarou Saboia, que assumiu a responsabilidade sobre o caso e disse que tinha optado "pela vida" e por "proteger" um "perseguido político".

Visivelmente contrariada pelo episódio, a presidente Dilma Rousseff aceitou na noite de 26 de agosto o pedido de demissão do chanceler Antonio Patriota, que foi substituído pelo representante do Brasil na ONU, Luiz Alberto Figueiredo Machado.

No dia seguinte, Dilma demonstrou irritação com a operação, que, segundo ela, colocou em risco a vida do diplomata e do senador boliviano. "O Brasil não poderia colocar em risco a vida de uma pessoa que estava sob a sua guarda", afirmou Dilma, em relação à ausência de garantia de um salvo-conduto por parte do governo da Bolívia. "Um Estado democrático e civilizado, a primeira coisa que faz é proteger a vida sem qualquer outra consideração. Protegemos a vida e a segurança e garantimos conforto ao asilado", criticou. "Se nada aconteceu, não é a questão. Poderia ter acontecido."

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