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Dilma lembra antecessores e defende "século da América Latina"

31 jan 2011
17h34
Laryssa Borges
Direto de Buenos Aires

Em sua primeira viagem internacional desde a posse, em 1º de janeiro, a presidente Dilma Rousseff defendeu nesta segunda-feira, em Buenos Aires (Argentina), a importância de "antecessores com sensatez", que, de acordo com ela, foram responsáveis por impor uma nova visão de mundo que enfatizasse a importância regional e o crescimento de nações em desenvolvimento. Sem citar nominalmente o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, seu mentor político, Dilma defendeu que o século 21 seja "o século da América Latina".

Em seu discurso, Dilma afirmou que prestaria uma homenagem ao ex-presidente argentino, Néstor Kirchner, morto no ano passado. Em sua avaliação, além de ser "um grande argentino", Kirchner soube conduzir a União das Nações Sul-Americanas (Unasul).

"Considero que Argentina e Brasil são cruciais para que possamos transformar esse século 21 no século da América Latina. São os dois maiores países e representam grande potencial de desenvolvimento. Mas eles não conquistaram por evolução natural das coisas, mas pelo empenho político de governantes que tiveram a sensatez e coragem para perceber que o mundo havia mudado, (propiciando) crescimento econômico, afirmação da inclusão social, da nossa sociedade, do meio ambiente", disse Dilma.

Ao lado da presidente argentina, Cristina Kirchner, a mandatária brasileira defendeu ainda projetos de cooperação na área econômica, com exploração do potencial agrícola e por meio de projetos voltados à tecnologia, ciência e inovação, políticas nas áreas nuclear, de biocombustíveis, de habitações populares e de saneamento.

Após reunião ampliada com ministros brasileiros e argentinos, Dilma Rousseff relembrou também o simbolismo de ela e Kirchner serem as primeiras mulheres a serem eleitas democraticamente em seus países e afirmou defender o desenvolvimento das nações também aliado a questões de gênero.

"Para nós, que somos duas mulheres eleitas diretamente nos nossos países, também assumimos papel muito importante na questão da garantia da participação de gênero. Uma sociedade pode ser medida pelo seu avanço e modernidade desde que também assegure a participação das mulheres e a não-discriminação das mulheres. (Significa) demonstrar com isso que esses países, que são os nossos, são países com sociedades desenvolvidas, capazes de eleger duas mulheres", salientou.

A primeira viagem internacional de Dilma desde a posse em é, segundo autoridades brasileiras, uma demonstração da importância estratégica que tem a Argentina, principal parceiro comercial do governo brasileiro no Mercosul e um dos maiores no mundo, atrás somente de China e Estados Unidos.

O Brasil é o principal fornecedor e destino prioritário das exportações argentinas. Em 2010, o intercâmbio bilateral chegou a US$ 32,9 bilhões, com déficit de US$ 4,1 bilhões na balança comercial da Argentina com o Brasil.

Dilma relembrou o simbolismo da eleição de duas mulheres na presidência dos dois países
Dilma relembrou o simbolismo da eleição de duas mulheres na presidência dos dois países
Foto: Roberto Stuckert Filho/PR / Divulgação
Fonte: Terra
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