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Dilma é 'Joana D'Arc da subversão', diz documento da ditadura

19 nov 2010
10h32
atualizado às 11h24

Documentos secretos da ditadura militar qualificam a presidente eleita do Brasil, Dilma Rousseff, como a "Joana d'Arc da subversão". Os arquivos, que foram mantidos em sigilo por mais de quatro décadas, foram publicados nesta sexta-feira pelo jornal O Globo.

Documentos da ditadura citam atuação de Dilma na guerrilha
Documentos da ditadura citam atuação de Dilma na guerrilha
Foto: Fabrício Escandiuzzi / Especial para Terra

Segundo os arquivos, Dilma integrou os grupos guerrilheiros Colina e VAR-Palmares, através dos quais dirigiu greves, assessorou assaltos a bancos e delegou funções, embora não se pôde comprovar que tenha participado diretamente em nenhuma ação armada.

Nos documentos constam algumas passagens de sua declaração perante a Justiça Militar após sua captura, nos quais se manifestou "marxista-leninista" e admitiu que o grupo Colina participou de três assaltos a bancos e foi responsável por dois atentados com bombas, sem vítimas registradas. "É uma figura feminina de expressão tristemente notável, mas com uma dotação intelectual bastante apreciável", dizem os arquivos que O Globo teve acesso.

Os arquivos ainda apontam que Dilma Rousseff "assessorou" grupos guerrilheiros na preparação de assaltos a bancos durante a ditadura militar, que governou o País entre 1964 e 1985. No entanto, os grupos de inteligência das Forças Armadas não confirmaram sua participação direta em nenhuma ação armada, de acordo com os arquivos do Ministério Público Militar.

A abertura desses arquivos foi solicitada à Justiça Militar pelo jornal Folha de São Paulo, mas foi O Globo que publicou nesta sexta-feira as primeiras informações dos documentos, que pouco falam sobre os vínculos de Dilma às guerrilhas urbanas contra a ditadura.

A atual presidente eleita foi detida em 1970, quando tinha 23 anos, acusada de pertencer a "grupos subversivos", e permaneceu presa durante quase três anos, nos quais afirma ter sido submetida a "bárbaras torturas".

A última vez que Dilma falou publicamente sobre os episódios foi em 2008, durante uma reunião no Congresso, quando afirmou que mentiu nos interrogatórios à Justiça Militar. "Eu me orgulho muito por ter mentido, senador, porque mentir sob tortura não é fácil. Na democracia se fala a verdade, na tortura, quem tem coragem e dignidade fala mentira", declarou a presidente eleita, que no dia 1º de janeiro sucederá Luiz Inácio Lula da Silva na Presidência do Brasil.

A francesa Joana d'Arc foi heroína da Guerra dos Cem Anos, na primeira metade do século XIV. Foi queimada viva em 1431, aos 19 anos, executada pelo governo. Reconhecida por sua bravura, foi canonizada em 1920 e se tornou padroeira da França.

EFE   

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