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Dilma deixa fama de 'brava' de lado e marca posse com lágrimas

1 jan 2011
23h35
atualizado em 2/1/2011 às 02h25

No dia em que se tornou a primeira mulher presidente do Brasil, Dilma Rousseff deixou a fama de "brava", como descreveu a petista hoje mesmo o ex-vice José Alencar, e caiu em lágrimas ao falar sobre a emoção de suceder Luiz Inácio Lula da Silva e de representar milhares de brasileiros e brasileiras. A ex-guerrilheira que construiu carreira de gestora pública prometeu "honrar as mulheres, proteger os mais frágeis e governar para todos".

"Dediquei toda a minha vida à causa do Brasil. Entreguei minha juventude ao sonho de um País justo e democrático", afirmou a presidente no seu primeiro discurso em referência ao período da ditadura militar. Vestindo um tailleur em tom pérola, Dilma demonstrou a determinação da gestora, em promover avanços sociais e estabilidade econômica, e a sensibilidade da mulher, ao falar dos sonhos de todos os brasileiros por um País melhor.

Dilma deixou a Granja do Torto no começo da tarde e seguiu sob forte chuva até a Catedral de Brasília, de onde partiu para o Congresso Nacional acompanhada da única filha, Paula. Mãe e filha seguiram o trajeto no Rolls-Royce presidencial fechado, por causa da intensa chuva que atingiu a capital federal exatamente na hora da posse.. Os populares, muitos que viajaram milhares de quilômetros para acompanhar a posse, seguiram correndo ao lado, com os seus guarda-chuvas.

A chuva impediu que Dilma desfilasse em carro aberto, acenando para a população, mas ela não se intimidou, abriu o vidro do carro oficial e colocou o braço para fora inúmeras vezes para cumprimentar o povo. Ao chegar no Congresso, a nova presidente encontrou o plenário Ulysses Guimarães lotado de deputados e senadores, todos dispostos a abraçar a mulher mais poderosa do País.

Das mãos do presidente do Senado, José Sarney, Dilma recebeu a caneta que assinou o documento de posse, na companhia do vice, Michel Temer. No seu discurso a petista falou daquilo que pretende ser a marca do seu governo: o combate à fome e à miséria. "Não vou descansar enquanto houver brasileiro sem alimento na mesa", disse a presidente, interrompida por aplausos.

Em um discurso de 40 minutos, Dilma se emocionou ao dizer que governará para todos os brasileiros. "Estendo minha mão para os partidos de oposição e aqueles que não me acompanharam nessa jornada. Sou a presidenta de todos os brasileiros", afirmou ao conter as lágrimas.

Do Congresso Nacional, Dilma seguiu, na companhia do vice-presidente, até o Palácio do Planalto. Ao lado de Temer, ela subiu a rampa e foi até o parlatório, onde Lula a abraçou demoradamente e, emocionado, entregou a faixa presidencial. Ao discursar à nação, Dilma chorou mais uma vez ao falar da alegria em assumir o governo e da emoção em ver Lula deixar o cargo. "Já fizemos muito nos últimos oito anos, mas por acreditar que podemos fazer mais, o povo nos trouxe aqui".

Dilma disse que não guarda ressentimentos e que estará "de mãos abertas para todos", ao fazer referência aos opositores."Uma importante líder indiana, disse um dia que não se pode trocar um aperto de mão com os punhos fechados. Pois minhas mãos estarão sempre abertas para todos, até para aqueles que não nos acompanharam no processo eleitoral", afirmou.

Após seu discurso, ela desceu a rampa de mãos dadas ao homem que lhe conduziu até o cargo, a quem ela reconheceu como o "grande líder". Lula, que preparou Dilma para o posto mais importante do Brasil, se despediu da dedicada aluna, dos políticos e dos populares. O metalúrgico quebrou o protocolo e foi cumprimentar a população, para desespero dos seguranças que o acompanhavam.

Por várias vezes, Lula foi puxado, abraçado e afagado por homens, mulheres e crianças, que se espremeram para chegar junto a ele. Antes de entrar no carro, ele comentou que o contato com o público foi emocionante. O ex-presidente agradeceu os que o apoiaram e pediu para que confiassem em Dilma Rousseff.

Sem Lula, Dilma seguiu para o interior do Palácio onde deu posse aos 37 ministros, homens e mulheres responsáveis por comandar, junto com ela, os programas do País nos próximos anos. Com os líderes de seu governo, a nova presidente seguiu para o Itamaraty, onde, em um coquetel, recebeu os cumprimentos de líderes de todo o mundo.

Regado a espumantes de uma vinícola gaúcha, o coquetel contou com a presença de cerca de 400 pessoas, entre autoridades internacionais, pessoas que trabalharam na campanha de Dilma, artistas e políticos. Reservadamente, em outro andar do Palácio, Dilma celebrou a posse com familiares e, depois, com companheiras de cela da época em que esteve presa, na década de 70.

Por volta das 20h40, Dilma deixou o Itamaraty em direção à residência da Granja do Torto, onde descansa na companhia da filha e do neto, Gabriel. No domingo, ela assume as atividades de presidente, com reunião entre líderes internacionais.

Fonte: Redação Terra

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