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Dilma: corrupção é "senhora idosa", pode estar em todo lugar

Presidente da Câmara, Eduardo Cunha, afirmou mais cedo que a corrupção está no Executivo, e não no Legislativo

16 mar 2015
18h17
atualizado às 19h19
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Em resposta a uma fala do presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), a presidente Dilma Rousseff disse nesta segunda-feira que a “corrupção é uma senhora bastante idosa” e pode estar em todo lugar. Mais cedo, o peemedebista havia afirmado que a corrupção está no Poder Executivo, e não no Legislativo.

Presidente Dilma Rousseff durante cerimônia de Sanção do Código de Processo Civil, em 16 de março
Presidente Dilma Rousseff durante cerimônia de Sanção do Código de Processo Civil, em 16 de março
Foto: Roberto Stuckert Filho / Presidência da República

“Olha, você me desculpa mas eu acho que essa discussão não leva a nada. A corrupção não nasceu hoje, ela não só é uma senhora bastante idosa nesse País, como não poupa ninguém, pode estar em tudo quanto é área, inclusive no setor privado”, disse a presidente em sua primeira entrevista após as manifestações de domingo.

<p>Manifestantes contrários ao governo da presidente Dilma Rousseff na Avenida Paulista, em São Paulo</p>
Manifestantes contrários ao governo da presidente Dilma Rousseff na Avenida Paulista, em São Paulo
Foto: Paulo Whitaker / Reuters

Ao comentar os protestos de ontem, Cunha disse que o escândalo de corrupção está no Poder Executivo e que, se eventualmente algum parlamentar se aproveitou da situação, foi por falta de governança. O peemedebista é um dos investigados na Operação Lava Jato e acusa a Procuradoria Geral da República (PGR) de agir de forma política para transferir a crise para o Congresso.

Para Dilma, a própria décima fase da Lava Jato, que prendeu o ex-diretor da Petrobras Renato Duque, mostra que o governo não faz interferências. “Esses acontecimentos mostram que todas as teorias de como o governo interferiu sobre o Ministério Público ou quem quer que seja para investigar ou fazer qualquer coisa com quem quer que seja é absolutamente infundada”, disse. "Não vamos achar que tem qualquer segmento acima de qualquer suspeita. Acho que o combate à corrupção começa através de um processo educacional", disse.

Questionada se a fase da operação poderia afetar o governo, Dilma respondeu: "Se vocês estão se referindo ao governo como sendo eu, asseguro que não. Jamais, em tempo algum”.

Petista adota tom de autocrítica
Após se reunir com os ministros que integram o grupo de coordenação política, Dilma adotou nesta segunda um tom de autocrítica sobre a política econômica e um de seus principais programas educacionais, o Fundo de Financiamento Estudantil (Fies). A presidente admitiu um erro na condução do Fies.

“No caso do Fies, nós tivemos um erro. Vocês querem uma confissão de erro? Vou te dizer onde. no fies. Passou para o setor privado o controle dos cursos”, disse.

Na economia, Dilma disse que pode ter havido algum erro de “dosagem”, mas ponderou que poderia ter sido melhor se o governo não tivesse tomado medidas para evitar o desemprego durante a crise em 2009.

“É possível que a gente possa até ter cometido algum (erro), agora qual foi o erro de dosagem que nós cometemos? Nós gostaríamos muito que houvesse uma melhoria econômica de emprego e renda. Tem gente que acha que nós deveríamos ter deixado algumas empresas quebrarem. Eu tendo a achar que isso era um custo muito grande para o país, agora se é possível discutir se é um pouco mais ou pouco menos, é possível discutir. O que explica a situação atual é um fato constatável: a economia não reagiu.”

PMDB
Perguntada se havia errado em uma tentativa de isolar o PMDB, a petista disse que não tentou se afastar do partido do vice Michel Temer. "Longe de nós querermos isolar o PMDB", disse, depois de chamar o companheiro de chapa de "leal, querido e extremamente solidário".

A presidente seguiu o discurso feito por seus auxiliares ontem e hoje, e pregou "humildade e diálogo". "Nós estamos em uma fase democrática que temos de buscar o consenso mínimo. É da democracia não haver concordância e unanimidade, unanimidade só tem em um regime", disse, referindo-se a governos autoritários.

Apesar de defender as manifestações pacíficas, a presidente criticou o discurso do "quanto pior, melhor" e defendeu uma espécie de trégua até as próximas eleições. "Quando a gente diz que o 'quanto pior, melhor' é algo que a gente não pode aceitar, o que nós estamos dizendo é o seguinte: vamos brigar depois, agora vamos fazer para o bem do Brasil tudo aquilo que tem de ser feito."

Fonte: Terra
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