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Decisão final sobre venda de caças será política, diz Amorim

6 jan 2010
13h43
atualizado às 15h00

"A decisão final sempre é política", afirmou nesta quarta-feira em Genebra o ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, referindo-se ao projeto de compra de caças franceses Rafale, preteridos em um relatório da Força Aérea Brasileira (FAB)."A decisão final sempre é política, porque é tomada por órgãos políticos", disse.

"É óbvio que vamos estudar e levar em conta o conteúdo dos relatórios técnicos, mas a decisão final cabe ao ministro da Defesa (Nelson Jobim) e ao presidente da República (Luis Inácio Lula da Silva)", afirmou o chanceler durante um encontro com jornalistas.

"A decisão será tomada pelo presidente da República, com a ajuda do conselho de defesa. Não é uma decisão exclusivamente militar", disse.

O Rafale da Dassault está concorrendo com o F/A-18 Super Hornet da Boeing e o Gripen NG da Saab em uma licitação para fornecer 36 aviões de combate ao Brasil, num contrato que representa vários bilhões de dólares.

A Força Aérea Brasileira (FAB) prefere o Gripen e até o Super Hornet para modernizar sua frota, por considerar o Rafale caro demais, segundo informações publicadas terça-feira pelo jornal Folha de S.Paulo.

O jornal disse ter tido acesso às conclusões de um relatório da FAB de 30.000 páginas afirmando que "o fator financeiro foi decisivo para colocar o Gripen NG, ainda em fase de projeto, na primeira posição". "O Gripen é o mais barato dos três", disse.

Segundo a Folha, "a Saab vende o Gripen pela metade do preço do Rafale, ou seja, cerca de RS$ 70 milhões, e a hora de voo é quatro vezes mais barata que a do Rafale".

A presidência francesa se recusou a comentar as informações do jornal, dizendo-se tranquila com o resultado da licitação e as chances do Rafale, que nunca foi vendido no exterior.

A construtora Dassault afirmou que se Brasília escolher o Rafale, os seis primeiros aparellhos serão montados na França e os outros 30 no Brasil.

O presidente Lula expressou sua preferência pelo Rafale em setembro passado, quando recebeu em Brasília seu colega francês, Nicolas Sarkozy, devido à transferência de tecnologia sem restrições prometida por Paris.

AFP Todos os direitos de reprodução e representação reservados. 
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