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Cúpula do DEM dá como certa a expulsão de Demóstenes

2 abr 2012
22h02
atualizado às 23h04

O processo de expulsão do senador Demóstenes Torres (DEM-GO) ainda nem começou e o presidente do Democratas, senador José Agripino Maia (RN), já dá a saída dele como certa. Para Agripino, Demóstenes foi "uma decepção" e "dificilmente o partido não tomará essa posição" de expulsá-lo.

Na reunião do partido, o Democratas decidiu abrir processo para expulsar Demóstenes Torres
Na reunião do partido, o Democratas decidiu abrir processo para expulsar Demóstenes Torres
Foto: Valter Campanato / Agência Brasil

"O incômodo partidário está posto. A Casa, o Senado, está em xeque. A classe política, como um todo, também está. Mas quem mais está em xeque é a formulação programática do partido. É a conduta partidária do Democratas, que não convive com a perda do padrão ético", declarou o presidente do DEM após reunião com a cúpula do partido em sua casa, em Brasília.

Na opinião de Agripino Maia, Demóstenes Torres reiteradamente se desviou da conduta partidária quando se relacionou intimamente com o controlador do jogo do bicho no estado de Goiás, Carlos Augusto de Almeida Ramos, o Carlinhos Cachoeira. Gravações telefônicas feitas pela Polícia Federal flagraram o senador e o bicheiro em conversas nas quais tratam de dinheiro, de informações privilegiadas e do destino de projetos de lei que interessavam a Cachoeira. Além disso, o próprio senador admitiu que recebeu como presente de casamento de Carlinhos Cachoeira eletrodomésticos no valor de R$ 30 mil.

Participaram do encontro na casa de Agripino Maia, o líder do DEM na Câmara, deputado Antônio Carlos Magalhães Neto (BA), o deputado Ronaldo Caiado (DEM-GO) e o vice-governador de Goiás, José Eliton. Demóstenes não participou da reunião e não se manifestou sobre a abertura do processo de expulsão. Ele terá uma semana para se defender antes que o Democratas anuncie a decisão final. Na opinião do líder ACM Neto, Demóstenes já poderia ter apresentado sua defesa e não o fez.

"Eu acho que já passou da hora do senador se manifestar. Esse é um desejo do Democratas, ainda partido dele (Demóstenes Torres). E também do Congresso Nacional e da sociedade brasileira. Mas o prazo do partido expirou", declarou. Para ACM Neto, a possibilidade de permanência do senador no DEM "é muito difícil".

A cúpula do Democratas, no entanto, não pretende recorrer à Justiça Eleitoral para requerer o mandato de Demóstenes Torres no caso de ele vir a ser cassado. Segundo Agripino Maia, o partido não pode acusá-lo de infidelidade partidária e deixará que os pares de Torres no Senado se posicionem sobre o assunto. "Por infidelidade partidária nós não temos amparo. Agora, o mandato dele está nas mãos do Conselho de Ética (do Senado)", declarou o presidente do DEM.

Demóstenes Torres está respondendo a inquérito no Supremo Tribunal Federal baseado nas gravações feitas pela Polícia Federal que resultaram na Operação Monte Carlo. O ministro Ricardo Lewandowski autorizou a quebra de sigilo bancário do senador e solicitou um levantamento sobre as emendas parlamentares e os projetos relatados por ele para investigar se Cachoeira foi beneficiado. O bicheiro, que está preso, é acusado de controlar a máfia dos caça-níqueis e de outros jogos de azar em Goiás e de corromper policiais e políticos do estado. Além de Demóstenes Torres, os deputados Sandes Júnior (PP-GO), Carlos Lereia (PSDB-GO) e Stepan Nercessian (PPS-RJ) também tiveram conversas telefônicas com Cachoeira grampeadas pela PF. Nercessian pediu hoje afastamento temporário do seu partido.

Demóstenes e Carlinhos Cachoeira
Em 6 de março de 2012, o senador Demóstenes Torres (DEM-GO) subiu à tribuna para dar explicações sobre as denúncias de sua proximidade com o bicheiro Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira, descoberta pela operação Monte Carlo, da Polícia Federal, que terminou em fevereiro, com a prisão de Cachoeira e de outras 34 pessoas. Demóstenes disse que a violação do seu sigilo telefônico não havia obedecido critérios legais. Dez dias depois, o jornal Folha de S.Paulo publicava um relatório do Ministério Público Federal (MPF) que indicava que o grupo comandado por Cachoeira entregou telefones antigrampos para políticos, entre eles Demóstenes, que admitiu ter recebido o aparelho.

O jornal O Globo noticiou, em 23 de março, gravações da PF que flagraram Demóstenes pedindo para Cachoeira lhe pagar R$ 3 mil em despesas com táxi-aéreo e vazando informações sobre reuniões reservadas que manteve com representantes dos três Poderes. Em 27 de março, Demóstenes pediu afastamento da liderança do DEM no Senado para "acompanhar a evolução dos fatos". No dia seguinte, o Psol entrou com representação contra o parlamentar no Conselho de Ética do Senado e, um dia depois, em 29 de março, o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Ricardo Lewandovski autorizou a quebra do sigilo bancário de Demóstenes, solicitando ainda um levantamento sobre as emendas e os projetos relatados por ele para saber se Cachoeira, acusado de controlar a máfia dos caça-níqueis e de corromper policiais e políticos em Goiás, foi beneficiado.

Nas gravações, Demóstenes também aparece acertando um suposto lobby pela legalização dos jogos de azar no Congresso em 2009. Em outra conversa, Cachoeira pede ajuda no processo de um delegado e três policiais de Anápolis (GO) acusados de tortura e extorsão. Os dois ainda conversaram sobre um "negócio" milionário na Infraero. Na ocasião, Demóstenes teria se valido da relatoria da CPI do Apagão Aéreo para levantar informações e sondar contratos de informática na estatal.

O presidente do DEM, senador José Agripino Maia (RN), anunciou em 2 de abril que o partido decidiu abrir um processo que pode resultar na expulsão de Demóstenes. Conforme a nota, "houve desvio reiterado do programa partidário, principalmente no que diz respeito à ética".

Agência Brasil Agência Brasil

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