Política

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06 de dezembro de 2010 • 18h48 • atualizado às 18h59

CPI investigará Secretaria da Juventude de Porto Alegre

A Câmara de Vereadores de Porto Alegre (RS) instalará uma CPI para investigar supostas irregularidades na Secretaria Municipal da Juventude. O pedido para a abertura da comissão foi protocolado pela vereadora Juliana Brizola (PDT), ex-secretária da pasta, que pediu que sejam investigadas a sua gestão, a de seu marido, Alexandre Souza da Silveira (PDT), atual secretário, e de seu antecessor, Mauro Zacher (PDT).

As denúncias de irregularidade vieram a público na semana passada, em reportagem do jornal Diário Gaúcho. Segundo o jornal, a secretaria é alvo de quatro investigações de diferentes órgãos dos ministérios públicos Estadual e Federal. As supostas irregularidades incluem a exigência de parte do salário de assessores para financiar o gabinete da vereadora, a terceirização de serviços do ProJovem, a dispensa de licitação na contratação de uma empresa para a realização de um evento e um repasse de mais de R$ 530 mil para a associação de moradores de uma vila de Porto Alegre.

Colegas de partido, os vereadores Mauro Zacher e Juliana Brizola trocaram acusações nesta segunda-feira, durante o período de lideranças da sessão plenária. Segundo a assessoria de imprensa da Câmara, a vereadora atribuiu a um grupo político de dentro do PDT as "acusações falsas" contra ela sobre supostas irregularidades em sua gestão na secretaria. "A cidade não pode ficar à mercê de uma quadrilha que se instalou na pasta da Juventude", disse Juliana ao apresentar o requerimento de abertura da CPI.

Antes de assinar o pedido de instalação da CPI, Mauro Zacher afirmou que esta será uma oportunidade de comparar o que foi feito no ProJovem em sua administração e na gestão de Alexandre Souza da Silveira. "Na gestão atual, o ProJovem foi um fracasso. Os alunos foram embora", disse, acrescentando que, assim como a vereadora, tem interesse em descobrir a verdade. Zacher também acusou a "quadrilha coordenada por ela" de agredir um de seus assessores a pauladas.

O vereador João Bosco Vaz, também do PDT, disse que ficou perplexo com a atitude de seus colegas de "discutir baixarias na tribuna da Casa". "Lavaram a roupa suja do PDT aqui. Não imaginam a repercussão que isso terá e o que esta atitude representa para o partido e para a Câmara", afirmou.

Segundo a assessoria de imprensa de Juliana Brizola, foram colhidas ao todo 19 assinaturas para o pedido de instauração da CPI - sete a mais do que o mínimo necessário. O pedido foi protocolado no final da tarde e já está com a mesa diretora da Câmara, que deve decidir quem presidirá a comissão. Como Juliana é uma das investigadas na futura CPI, não será possível que a presidência da comissão seja ocupada pelo vereador que protocolou o pedido, como é costumeiro na Câmara porto-alegrense.

Redação Terra