atualizado em 19 de Junho de 2012 às 00h38

TRF: juiz que deixou caso Cachoeira alegou motivos pessoais

Cachoeira é suspeito de liderar um esquema de exploração de jogos ilegais Foto: Antônio Cruz / Agência Brasil
Cachoeira é suspeito de liderar um esquema de exploração de jogos ilegais
Foto: Antônio Cruz / Agência Brasil
 

O juiz Paulo Augusto Moreira Lima, responsável pela ação penal derivada da Operação Monte Carlo, foi transferido da 11ª Vara Federal em Goiás, onde trabalha, a pedido dele próprio. A informação foi confirmada nesta segunda-feira pela assessoria de gabinete do magistrado, segundo a qual a transferência ocorreu "por motivos pessoais".

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Nesta manhã, o Tribunal Regional Federal da Primeira Região (TRF1) divulgou que Lima saiu do caso porque iria cobrir férias de outro juiz, mas não informava se ele voltaria à vara de origem ao final do período. No entanto, a assessoria do magistrado confirmou que ele deixou o posto definitivamente.

Segundo o TRF1, quem deve assumir o caso agora é o juiz titular, Leão Aparecido Alves, que dividia o trabalho com Lima na 11 ª Vara Federal até então. A troca de juízes deve atrasar o andamento dos processos derivados da Monte Carlo, já que o novo magistrado terá que analisar os 53 volumes do caso para tomar qualquer decisão.

A Operação Monte Carlo resultou em duas ações penais na Justiça Federal em Goiás, além de outros inquéritos no Supremo Tribunal Federal envolvendo parlamentares com foro privilegiado. A primeira ação penal que corre em Goiás reúne os oito réus presos por suspeita de participação em um esquema de corrupção e exploração ilegal de jogos no Centro-Oeste, entre eles, o bicheiro Carlinhos Cachoeira. No outro grupo, estão os 73 réus que estão soltos.

O juiz Paulo Lima optou por desmembrar o processo para que houvesse mais agilidade na tramitação. No final de maio, ele marcou duas audiências para ouvir os réus presos, mas a medida foi suspensa por decisão liminar do desembargador Fernando Tourinho Neto, do TRF1.

Carlinhos Cachoeira
Acusado de comandar a exploração do jogo ilegal em Goiás, Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira, foi preso na Operação Monte Carlo, da Polícia Federal, em 29 de fevereiro de 2012, oito anos após a divulgação de um vídeo em que Waldomiro Diniz, assessor do então ministro da Casa Civil, José Dirceu, lhe pedia propina. O escândalo culminou na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) dos Bingos e na revelação do suposto esquema de pagamento de parlamentares que ficou conhecido como mensalão.

Escutas telefônicas realizadas durante a investigação da PF apontaram contatos entre Cachoeira e o senador democrata Demóstenes Torres (GO). Ele reagiu dizendo que a violação do seu sigilo telefônico não havia obedecido a critérios legais.

Nos dias seguintes, reportagens dos jornais Folha de S.Paulo e O Globo afirmaram, respectivamente, que o grupo de Cachoeira forneceu telefones antigrampos para políticos, entre eles Demóstenes, e que o senador pediu ao empresário que lhe emprestasse R$ 3 mil em despesas com táxi-aéreo. Na conversa, o democrata ainda vazou informações sobre reuniões reservadas que manteve com representantes dos três Poderes.

Pressionado, Demóstenes pediu afastamento da liderança do DEM no Senado em 27 de março. No dia seguinte, o Psol representou contra o parlamentar no Conselho de Ética e, um dia depois, em 29 de março, o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Ricardo Lewandowski autorizou a quebra de seu sigilo bancário.

O presidente do DEM, senador José Agripino Maia (RN), anunciou em 2 de abril que o partido havia decidido abrir um processo que poderia resultar na expulsão de Demóstenes, que, no dia seguinte, pediu a desfiliação da legenda, encerrando a investigação interna. Mas as denúncias só aumentaram e começaram a atingir outros políticos, agentes públicos e empresas.

Após a publicação de suspeitas de que a construtora Delta, maior recebedora de recursos do governo federal nos últimos três anos, faça parte do esquema de Cachoeira, a empresa anunciou a demissão de um funcionário e uma auditoria. O vazamento das conversas apontam encontros de Cachoeira também com os governadores Agnelo Queiroz (PT), do Distrito Federal, e Marconi Perillo (PSDB), de Goiás. Em 19 de abril, o Congresso criou a CPI mista do Cachoeira.

Agência Brasil