atualizado em 28 de Junho de 2012 às 23h35

Relator na CCJ dá parecer favorável à cassação de Demóstenes

O processo de cassação do mandato de Demóstenes Torres deu mais um passo Foto: Wilson Dias / Agência Brasil
O processo de cassação do mandato de Demóstenes Torres deu mais um passo
Foto: Wilson Dias / Agência Brasil
 
Elaine Lina
Direto de Brasília

O senador Pedro Taques (PDT-MT), relator do processo de cassação do senador Demóstenes Torres (sem partido-GO) na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado, apresentou parecer favorável à constitucionalidade do processo. No entanto, o parlamentar não divulgou o conteúdo da análise.

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O parecer será votado pelos integrantes da comissão na próxima quarta-feira. De acordo com o regimento do legislativo, antes de chegar ao plenário para votação final, o documento precisa do aval da CCJ para verificação de constitucionalidade.

Na última segunda-feira, o Conselho de Ética do Senado acatou o pedido de cassação do mandato do senador por quebra de decoro. Demóstenes é suspeito de ter mantido sociedade com o bicheiro Carlinhos Cachoeira em negócios ilegais em Goiás.

A expectativa é que o Senado decida pela perda ou não do mandato de Demóstenes na segunda semana de julho, antes do recesso parlamentar, que deverá começar dia 17.

Carlinhos Cachoeira
Acusado de comandar a exploração do jogo ilegal em Goiás, Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira, foi preso na Operação Monte Carlo, da Polícia Federal, em 29 de fevereiro de 2012, oito anos após a divulgação de um vídeo em que Waldomiro Diniz, assessor do então ministro da Casa Civil, José Dirceu, lhe pedia propina. O escândalo culminou na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) dos Bingos e na revelação do suposto esquema de pagamento de parlamentares que ficou conhecido como mensalão.

Escutas telefônicas realizadas durante a investigação da PF apontaram contatos entre Cachoeira e o senador democrata Demóstenes Torres (GO). Ele reagiu dizendo que a violação do seu sigilo telefônico não havia obedecido a critérios legais.

Nos dias seguintes, reportagens dos jornais Folha de S.Paulo e O Globo afirmaram, respectivamente, que o grupo de Cachoeira forneceu telefones antigrampos para políticos, entre eles Demóstenes, e que o senador pediu ao empresário que lhe emprestasse R$ 3 mil em despesas com táxi-aéreo. Na conversa, o democrata ainda vazou informações sobre reuniões reservadas que manteve com representantes dos três Poderes.

Pressionado, Demóstenes pediu afastamento da liderança do DEM no Senado em 27 de março. No dia seguinte, o Psol representou contra o parlamentar no Conselho de Ética e, um dia depois, em 29 de março, o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Ricardo Lewandowski autorizou a quebra de seu sigilo bancário.

O presidente do DEM, senador José Agripino Maia (RN), anunciou em 2 de abril que o partido havia decidido abrir um processo que poderia resultar na expulsão de Demóstenes, que, no dia seguinte, pediu a desfiliação da legenda, encerrando a investigação interna. Mas as denúncias só aumentaram e começaram a atingir outros políticos, agentes públicos e empresas.

Após a publicação de suspeitas de que a construtora Delta, maior recebedora de recursos do governo federal nos últimos três anos, faça parte do esquema de Cachoeira, a empresa anunciou a demissão de um funcionário e uma auditoria. O vazamento das conversas apontam encontros de Cachoeira também com os governadores Agnelo Queiroz (PT), do Distrito Federal, e Marconi Perillo (PSDB), de Goiás. Em 19 de abril, o Congresso criou a CPI mista do Cachoeira.

No dia 25 de junho, o Conselho de Ética e Decoro Parlamentar do Senado aprovou a cassação de Demóstenes. Em decisão unânime, por 15 votos a zero, o colegiado aprovou o relatório do senador Humberto Costa (PT-PE), que recomendou a perda do mandato do senador. O parecer do Conselho de Ética deverá ser examinado pela Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJ) e, se aprovado, passará por nova votação no Senado, que poderá definir a cassação definitiva de Demóstenes.

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