O presidente da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) mista do Cachoeira, senador Vital do Rêgo (PDMB-PB), informou nesta sexta-feira que o colegiado não terá reuniões na próxima semana, devido à necessidade de participação de deputados e senadores na Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável, a Rio+20, no Rio de Janeiro. Conforme lembrou Vital do Rêgo, o presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), determinou que não haja sessões deliberativas na Casa na próxima semana. As informações são da Agência Câmara.
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Segundo o presidente da CPI, os trabalhos da semana serão inteiramente dedicados a investigações e consultas nos documentos e em outros dados que chegam diariamente em grande quantidade à comissão. Uma das atividades dos integrantes, de acordo com Vital do Rêgo, será analisar os dados relativos à quebra de sigilos bancários, fiscais e telefônicos de pessoas ligadas às investigações. Na quinta-feira, o colegiado aprovou pedidos de quebra dos sigilos dos governadores de Goiás, Marconi Perillo (PSDB), e do Distrito Federal, Agnelo Queiroz (PT).
Documentos da Operação Saint Michel, do Ministério Público do DF, também já estão em poder da CPI, segundo Vital do Rêgo. Eles poderão facilitar a investigação das atividades em nível nacional da Delta Construções, acusada de participar do esquema do contraventor Carlinhos Cachoeira.
"Uma semana sem reuniões plenárias representará uma oportunidade para que os membros da CPMI e seus assessores se debrucem sobre o material recebido e realizem atividades de pesquisa e investigação documental, tarefas essenciais para o sucesso do inquérito parlamentar", disse Vital do Rêgo.
Carlinhos Cachoeira
Acusado de comandar a exploração do jogo ilegal em Goiás, Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira, foi preso na Operação Monte Carlo, da Polícia Federal, em 29 de fevereiro de 2012, oito anos após a divulgação de um vídeo em que Waldomiro Diniz, assessor do então ministro da Casa Civil, José Dirceu, lhe pedia propina. O escândalo culminou na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) dos Bingos e na revelação do suposto esquema de pagamento de parlamentares que ficou conhecido como mensalão.
Escutas telefônicas realizadas durante a investigação da PF apontaram contatos entre Cachoeira e o senador democrata Demóstenes Torres (GO). Ele reagiu dizendo que a violação do seu sigilo telefônico não havia obedecido a critérios legais.
Nos dias seguintes, reportagens dos jornais Folha de S.Paulo e O Globo afirmaram, respectivamente, que o grupo de Cachoeira forneceu telefones antigrampos para políticos, entre eles Demóstenes, e que o senador pediu ao empresário que lhe emprestasse R$ 3 mil em despesas com táxi-aéreo. Na conversa, o democrata ainda vazou informações sobre reuniões reservadas que manteve com representantes dos três Poderes.
Pressionado, Demóstenes pediu afastamento da liderança do DEM no Senado em 27 de março. No dia seguinte, o Psol representou contra o parlamentar no Conselho de Ética e, um dia depois, em 29 de março, o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Ricardo Lewandowski autorizou a quebra de seu sigilo bancário.
O presidente do DEM, senador José Agripino Maia (RN), anunciou em 2 de abril que o partido havia decidido abrir um processo que poderia resultar na expulsão de Demóstenes, que, no dia seguinte, pediu a desfiliação da legenda, encerrando a investigação interna. Mas as denúncias só aumentaram e começaram a atingir outros políticos, agentes públicos e empresas.
Após a publicação de suspeitas de que a construtora Delta, maior recebedora de recursos do governo federal nos últimos três anos, faça parte do esquema de Cachoeira, a empresa anunciou a demissão de um funcionário e uma auditoria. O vazamento das conversas apontam encontros de Cachoeira também com os governadores Agnelo Queiroz (PT), do Distrito Federal, e Marconi Perillo (PSDB), de Goiás. Em 19 de abril, o Congresso criou a CPI mista do Cachoeira.

