atualizado às 08h51

Mentira é motivo para cassação de senador, diz Luiz Estevão

Mentira é motivo para cassação de senador, diz Luiz Estevão

Estevão é o único senador cassado até hoje por suspeita de corrupção Foto: Oslaim Brito / Futura Press
Estevão é o único senador cassado até hoje por suspeita de corrupção
Foto: Oslaim Brito / Futura Press
 

Único senador cassado até hoje por suspeita de corrupção, o empresário de Brasília Luiz Estevão afirmou, em entrevista ao jornal Folha de S. Paulo, que mentir é sim motivo para cassação, discordando do senador Demóstenes Torres (sem partido-GO). "É um caso flagrante de quebra de decoro. O senador tem liberdade, mas isso não o autoriza a mentir", afirmou o empresário.

CPIs: as investigações que fizeram história
Cachoeira, o bicheiro que abalou o Brasil
Conheça o império do jogo do bicho no País

Estevão aproveitou para lembrar Demóstenes que existe vida após a cassação. "Nada é pior do que morrer, a cassação não acabou com minha vida e não vai acabar com a dele", disse. O empresário declarou não ter mentido aos senadores - o que foi usado para cassá-lo em 2000. O plenário do Senado vota nesta quarta-feira, às 10h, a cassação de Demóstenes por ligação com o bicheiro Carlos Cachoeira.

Caso Cachoeira
Acusado de comandar a exploração do jogo ilegal em Goiás, Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira, foi preso na Operação Monte Carlo, da Polícia Federal, em 29 de fevereiro de 2012, oito anos após a divulgação de um vídeo em que Waldomiro Diniz, assessor do então ministro da Casa Civil, José Dirceu, lhe pedia propina. O escândalo culminou na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) dos Bingos e na revelação do suposto esquema de pagamento de parlamentares que ficou conhecido como mensalão.

Escutas telefônicas realizadas durante a investigação da PF apontaram contatos entre Cachoeira e o senador democrata Demóstenes Torres (GO). Ele reagiu dizendo que a violação do seu sigilo telefônico não havia obedecido a critérios legais.

Nos dias seguintes, reportagens dos jornais Folha de S.Paulo e O Globo afirmaram, respectivamente, que o grupo de Cachoeira forneceu telefones antigrampos para políticos, entre eles Demóstenes, e que o senador pediu ao empresário que lhe emprestasse R$ 3 mil em despesas com táxi-aéreo. Na conversa, o democrata ainda vazou informações sobre reuniões reservadas que manteve com representantes dos três Poderes.

Pressionado, Demóstenes pediu afastamento da liderança do DEM no Senado em 27 de março. No dia seguinte, o Psol representou contra o parlamentar no Conselho de Ética e, um dia depois, em 29 de março, o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Ricardo Lewandowski autorizou a quebra de seu sigilo bancário.

O presidente do DEM, senador José Agripino Maia (RN), anunciou em 2 de abril que o partido havia decidido abrir um processo que poderia resultar na expulsão de Demóstenes, que, no dia seguinte, pediu a desfiliação da legenda, encerrando a investigação interna. Mas as denúncias só aumentaram e começaram a atingir outros políticos, agentes públicos e empresas.

Após a publicação de suspeitas de que a construtora Delta, maior recebedora de recursos do governo federal nos últimos três anos, faça parte do esquema de Cachoeira, a empresa anunciou a demissão de um funcionário e uma auditoria. O vazamento das conversas apontam encontros de Cachoeira também com os governadores Agnelo Queiroz (PT), do Distrito Federal, e Marconi Perillo (PSDB), de Goiás. Em 19 de abril, o Congresso criou a CPI mista do Cachoeira.

Terra