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GO: preso, Cachoeira recebe bíblia e remédios da mulher

7 dez 2012
20h16
atualizado em 10/12/2012 às 10h22
Mirelle Irene
Direto de Goiânia

A mulher do bicheiro Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira, chegou por volta das 19h30 desta sexta-feira à sede da Polícia Federal de Goiânia (GO), onde o contraventor está preso. Andressa Mendonça entrou no edifício com uma mala contendo roupas, remédios e uma bíblia. Ela saiu cerca de meia hora depois e não quis falar com a imprensa.

O bicheiro voltou a ser preso nesta sexta-feira, após ser condenado a mais 39 anos.
O bicheiro voltou a ser preso nesta sexta-feira, após ser condenado a mais 39 anos.
Foto: Mirelle Irene / Especial para Terra

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Cachoeira está detido na PF desde a tarde de hoje, quando o juiz Alderico Rocha Santos, da 11ª Vara Criminal, expediu mandado de prisão preventiva contra ele. O magistrado condenou o bicheiro a 39 anos, 8 meses e 10 dias de prisão por diversos crimes relativos à Operação Monte Carlo.

A Justiça já determinou que Cachoeira seja transferido para o Presídio Estadual Odemir Guimarães, em Aparecida de Goiânia, na região metropolitana de Goiânia (GO). Mas, segundo o superintendente regional em exercício da PF, Valdemar Tiago, isso não deve ocorrer hoje devido à "falta de condições operacionais". A tendência é que a transferência ocorra na segunda-feira.

Cachoeira foi preso por volta das 14h em sua casa no condomínio Alphaville, em Goiânia. Segundo Tiago, o bicheiro reagiu de forma tranquila à detenção.

Soltura
O bicheiro foi preso no dia 29 de fevereiro como resultado da Monte Carlo e só foi solto no dia 20 de novembro, quando caiu a prisão preventiva em relação a outro caso que tramita no Distrito Federal, da Operação Saint-Michel. A Operação Monte Carlo apurou esquema de corrupção e exploração ilegal de jogos no Centro-Oeste.

Carlinhos Cachoeira
Acusado de comandar a exploração do jogo ilegal em Goiás, Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira, foi preso na Operação Monte Carlo, da Polícia Federal, em 29 de fevereiro de 2012, oito anos após a divulgação de um vídeo em que Waldomiro Diniz, assessor do então ministro da Casa Civil, José Dirceu, lhe pedia propina. O escândalo culminou na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) dos Bingos e na revelação do suposto esquema de pagamento de parlamentares que ficou conhecido como mensalão.

Escutas telefônicas realizadas durante a investigação da PF apontaram diversos contatos entre Cachoeira e o senador Demóstenes Torres (GO), então líder do DEM no Senado. Ele reagiu dizendo que a violação do seu sigilo telefônico não havia obedecido a critérios legais, confirmou amizade com o bicheiro, mas negou conhecimento e envolvimento nos negócios ilegais de Cachoeira. As denúncias levaram o Psol a representar contra Demóstenes no Conselho de Ética e o DEM a abrir processo para expulsar o senador. O goiano se antecipou e pediu desfiliação da legenda.

Com o vazamento de informações do inquérito, as denúncias começaram a atingir outros políticos, agentes públicos e empresas, o que culminou na abertura da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) mista do Cachoeira. O colegiado ouviu os governadores Agnelo Queiroz (PT), do Distrito Federal, e Marconi Perillo (PSDB), de Goiás, que negaram envolvimento com o grupo do bicheiro. O governador Sérgio Cabral (PMDB), do Rio de Janeiro, escapou de ser convocado. Ele é amigo do empreiteiro Fernando Cavendish, dono da Delta, apontada como parte do esquema de Cachoeira e maior recebedora de recursos do governo federal nos últimos três anos.

Demóstenes passou por processo de cassação por quebra de decoro parlamentar no Conselho de Ética da Casa. Em 11 de julho, o plenário do Senado aprovou, por 56 votos a favor, 19 contra e cinco abstenções, a perda de mandato do goiano. Ele foi o segundo senador cassado pelo voto dos colegas na história do Senado.

Em 21 de novembro, após 265 dias preso, Carlinhos Cachoeira, deixou a penitenciária da Papuda, em Brasília. No mesmo dia, o contraventor foi condenado pela 5ª Vara Criminal do Distrito Federal a uma pena de 5 anos de prisão por tráfico de influência e formação de quadrilha. Como a sentença é inferior a 8 anos, a juíza Ana Claudia Barreto decidiu soltar Cachoeira, que cumpriria a pena em regime semiaberto.

No dia seguinte, o Ministério Público Federal (MPF) de Goiás pediu nova prisão do bicheiro, com base em uma segunda denúncia contra ele e outras 16 pessoas, todos suspeitos de participar de uma intensificação de ações criminosas em Brasília. O pedido foi negado pela Justiça.

No dia 7 de dezembro, Cachoeira voltou a ser preso. O juiz Alderico Rocha Santos, da 11ª Vara Federal de Goiás, condenou o bicheiro a 39 anos, 8 meses e 10 dias de reclusão por diversos crimes relativos à Operação Monte Carlo e determinou sua prisão preventiva. A defesa ainda pode recorrer da decisão.

Fonte: Especial para Terra

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