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Ex-marido de mulher de Cachoeira deve assumir vaga de Demóstenes

11 jul 2012 13h36
| atualizado às 17h01
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Mirelle Irene
Direto de Goiânia

Com a cassação do senador Demóstenes Torres (sem partido-GO), quem deve assumir a vaga no Senado é o empresário da construção civil Wilder Pedro de Morais (DEM), o primeiro-suplente. Engenheiro de 44 anos, Morais ocupa pela primeira vez um cargo público: desde 2011, é secretário de Infraestrutura do Estado de Goiás, função para o qual foi convidado pessoalmente pelo governador Marconi Perillo (PSDB). Morais é ex-marido da atual mulher do bicheiro Carlinhos Cachoeira, Andressa Mendonça.

Morais é secretário de Infraestrutura de Goiás
Morais é secretário de Infraestrutura de Goiás
Foto: Assessoria de Comunicação da Secretaria de Infraestrutura de Goiás / Divulgação

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Natural de Taquaral de Goiás, na região central do Estado, Wilder nasceu em uma família humilde de agricultores. Sua trajetória profissional, no entanto, o transformou em um empresário milionário. Seu patrimônio declarado à Justiça Eleitoral, quando concorreu nas eleições de 2010, era de R$ 14,4 milhões.

Após iniciar carreira na empresa Construsan, de Goiânia, onde ficou por 11 anos e chegou a diretor-presidente, Morais fundou em 1997, com dois amigos de faculdade, a primeira empresa do Grupo Orca Construtora, que atua hoje no Brasil e no exterior. A companhia constrói e aluga, por exemplo, lojas para hipermercados de redes como o Carrefour. Os negócios de Morais ainda abarcam diversificados empreendimentos, como mineração, incorporação de construtoras, participação na construção de shoppings, entre outros.

Respeitado e influente no meio empresarial, Wilder Morais foi convidado em 2009, por Demóstenes Torres, para ser seu suplente na campanha do ano seguinte. Aceitando o convite pela admiração que sentia pelo senador, o empresário começou a participar do processo eleitoral, de forma ativa: pediu votos, distribuiu folhetos e teria sido também um dos principais doadores da campanha.

De temperamento discreto, Morais teve sua vida pessoal divulgada recentemente por causa da prisão de Cachoeira. Conversas gravadas pela investigação da Polícia Federal mostram que sua então mulher começou o relacionamento com o contraventor enquanto ainda era casada. Andressa e Morais tiveram dois filhos.

Carlinhos Cachoeira
Acusado de comandar a exploração do jogo ilegal em Goiás, Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira, foi preso na Operação Monte Carlo, da Polícia Federal, em 29 de fevereiro de 2012, oito anos após a divulgação de um vídeo em que Waldomiro Diniz, assessor do então ministro da Casa Civil, José Dirceu, lhe pedia propina. O escândalo culminou na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) dos Bingos e na revelação do suposto esquema de pagamento de parlamentares que ficou conhecido como mensalão.

Escutas telefônicas realizadas durante a investigação da PF apontaram diversos contatos entre Cachoeira e o senador Demóstenes Torres (GO), então líder do DEM no Senado. Ele reagiu dizendo que a violação do seu sigilo telefônico não havia obedecido a critérios legais, confirmou amizade com o bicheiro, mas negou conhecimento e envolvimento nos negócios ilegais de Cachoeira. As denúncias levaram o Psol a representar contra Demóstenes no Conselho de Ética e o DEM a abrir processo para expulsar o senador. O goiano se antecipou e pediu desfiliação da legenda.

Com o vazamento de informações do inquérito, as denúncias começaram a atingir outros políticos, agentes públicos e empresas, o que culminou na abertura da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) mista do Cachoeira. O colegiado ouviu os governadores Agnelo Queiroz (PT), do Distrito Federal, e Marconi Perillo (PSDB), de Goiás, que negaram envolvimento com o grupo do bicheiro. O governador Sérgio Cabral (PMDB), do Rio de Janeiro, escapou de ser convocado. Ele é amigo do empreiteiro Fernando Cavendish, dono da Delta, apontada como parte do esquema de Cachoeira e maior recebedora de recursos do governo federal nos últimos três anos.

Demóstenes passou por processo de cassação por quebra de decoro parlamentar no Conselho de Ética da Casa. Em 11 de julho, o plenário do Senado aprovou, por 56 votos a favor, 19 contra e cinco abstenções, a perda de mandato do goiano. Ele foi o segundo senador cassado pelo voto dos colegas na história do Senado.

Fonte: Especial para Terra
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