Política

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30 de dezembro de 2012 • 08h07 • atualizado às 08h30

Com plano de 100 dias, Donizette tenta devolver dignidade a Campinas

Donizette se elegeu após série de escândalos na cidade
Foto: Rose Mary de Souza / Especial para Terra
  • Direto de Campinas
 

Quando assumir a prefeitura de Campinas no dia 1º de janeiro de 2013, o deputado Jonas Donizette (PSB) não vai só trocar os corredores da Câmara dos Deputados em Brasília pela chefia de uns dos maiores municípios do interior de São Paulo. Além da incumbência de administrar um orçamento de R$ 3,7 bilhões, cujas receitas próprias ficam em torno de R$ 2,4 bilhões, Donizette tentará - e isso talvez seja a mais significativa promessa de sua campanha politica - devolver a dignidade ao município que, em menos de um ano, trocou três vezes de prefeito - dois foram cassados e um eleito indiretamente - por causa de acusações de corrupção, mau uso do dinheiro público e fraudes em licitações.

Para o cumprimento de suas metas de governo, Jonas Donizette planeja começar com um projeto de impacto para "arrumar a casa". No primeiro dia a frente da prefeitura, ele quer anunciar um "Plano dos 100 Primeiros Dias de Governo".

"Vamos detalhar as propostas dos 100 dias no momento da posse. Não quero adiantar agora, mas garanto que vamos, já posso afirmar, que vamos começar com a redução em 20% dos radares instalados na cidade", disse Jonas Donizette.

Segundo dados da Empresa Municipal de Desenvolvimento de Campinas (Emdec), que gerencia o trânsito e transporte, a cidade está com uma frota de 782.263 veículos emplacados (até começo de dezembro) e dispõe de 300 radares, sendo 100 deles ativados para aplicar multas.

Outro ponto que será instituído em seu governo, que também é promessa da campanha, é a ampliação do tempo de duração do bilhete único, de uma hora e 30 minutos para duas horas. "Essas duas metas de governo serão encaminhadas ao secretário de Transportes que deverá implantá-las o mais rápido possível", disse.

Funcionalismo, secretarias e ex-adversários
Assim como qualquer novo chefe, Donizette quer conhecer os seus colaboradores. Ele não descarta alterações e até promover demissões. Ele quer saber quais são os funcionários lotados na prefeitura, onde estão os comissionados, o que fazem, quais seus salários, relacionar aqueles que entraram na administração como cargo de confiança não concursados.

A folha de pagamento do funcionalismo é de R$ 73,4 milhões, e os comissionados custam R$ 2,6 milhões. Para a Secretaria de Recursos Humanos, foi nomeado o sindicalista Marionaldo Maciel, dirigente do Sindicato dos Servidores que conduziu greves e paralisações ao longo de administrações passadas. Maciel é filiado ao PSB, o mesmo do futuro chefe do executivo.

Jonas Donizette afirmou que pretende imprimir um diferencial em sua gestão ao criar a Secretaria de Direitos das Pessoas com Deficiência e Mobilidade Reduzida. A chefe da pasta é Emmanuelle Garrido Alkmin, também filiada ao PSB. Ela é graduada em direito pela PUC Campinas é portadora de deficiência visual e já atuou na prefeitura de Campinas. "Podemos ser exemplo para outras cidades neste ponto", falou Donizette.

A Secretaria de Urbanismo, alvo de polêmicas na administração passada ao embargar perto de mil imóveis entre condomínios fechados e empreendimentos comerciais até se tornar alvo de investigação do Ministério Público e de CPI na Câmara, será ocupada pela arquiteta Silvia Faria.

Ex-adversários políticos integrarão a administração de Donizette. O então candidato a prefeito pelo PV, derrotado nas urnas, Rogério Menezes, vai ocupar a Secretaria do Verde e Desenvolvimento Sustentável. Também ex-adversário e candidato derrotado pelo PRTB, o procurador e funcionário de carreira do município José Ferreira de Campos Filho, o Dr. Campos, será nomeado presidente do Instituto de Previdência de Campinas (Camprev).

Quarto prefeito em menos de um ano
Entre agosto e dezembro, Campinas foi administrada por três prefeitos. Em maio de 2011, o Ministério Publico Estadual de Campinas iniciou um processo que viria a alterar todo o cenário politico e administrativo de Campinas e se refletir nas urnas. O MP cumpriu 11 mandados de prisão preventiva e temporária de secretários municipais, agentes públicos, diretores e empresários supostamente envolvidos em uma quadrilha instalada na administração do ex-prefeito Hélio de Oliveira Santos (PDT). Dentre os suspeitos estavam a primeira-dama e chefe de gabinete Rosely Nassin Jorge Santos e o vice-prefeito Demétrio Vilagra (PT).

Ainda hoje, o processo corre na Justiça e 22 pessoas estão na condição de denunciadas e continuam sendo ouvidas em audiências abertas ao público. De acordo com a investigação, o grupo teve alguma participação em ações fraudulentas e desviou  milhões da Sociedade de Abastecimento de Água e Esgoto de Campinas (Sanasa).

Com o estouro do escândalo, o prefeito Hélio e seu vice, Vilagra, foram cassados. Em meados de dezembro, a cidade passava a ser administrada interinamente pelo vereador e presidente da Câmara Pedro Serafim (PDT). Ele viria a ser empossado prefeito efetivo apenas em março de 2012, após eleição indireta conduzida pela vereadores e autorizada pelo Tribunal Regional Eleitoral (TRE-SP).

"Vamos recuperar a dignidade de Campinas", foi a frase repetida diversas vezes por Jonas Donizette durante a campanha. Sem mencionar partidos políticos ou nomes, Jonas Donizette, partiu em campanha política sustentando que "aqueles que assaltaram a prefeitura devem pagar pelos seus erros e devolver o dinheiro do povo, que é nosso". Segundo o então candidato Donizette, "a cidade tem dinheiro, mas não sabe gastar".

Caçula de 20 filhos chega à prefeitura

Jonas Donizette chegou a Campinas com menos de 5 anos. Ao se firmar como radialista, foi convencido a se filiar a um partido politico e se elegeu vereador por três vezes. Alcançou uma vaga como deputado estadual e, a seguir, federal. Tentou a prefeitura três vezes, e só agora chegou à chefia da cidade.

O deputado federal Jonas Donizette Ferreira tem 47 anos. Nascido em Monte Belo (MG), é o caçula dos 20 filhos de uma família de agricultores. É casado com Sandra Ciotti Ferreira desde 1989, com quem tem duas filhas de 13 e 22 anos. Foi radialista e ingressou na década de 1980 no curso de Comunicação Social da PUC Campinas, mas não concluiu.

Concorrendo pela terceira vez ao cargo de prefeito, Jonas obteve 315.488 votos (57,69% válidos) no segundo turno das ultimas eleições. Seu adversário na disputa, Márcio Pochmann (PT), somou 231.420 votos (42,31%).

No primeiro turno da disputada eleitoral, Jonas se coligou com PSDB, PPS, DEM, PCdoB, PHS,PSC e PTdoB (Toda Força Pra Campinas). No segundo, obteve os aliados PV, PRB, PRTB, PSL, PTB, alas do PMDB, PR e PP.

Especial para Terra