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Chanceler israelense não fere o Itamaraty, diz Marco Aurélio

15 mar 2010
19h07
Gabriel Toueg
Direto de Jerusalém

O assessor especial da Presidência para assuntos internacionais, Marco Aurélio Garcia, disse no fim da tarde desta segunda-feira, em Jerusalém, que a falta do chanceler israelense à sessão plenária na Knesset em homenagem ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva "não fere o Itamaraty".

Garcia afirmou que prefere não discutir as opções do ministro Lieberman. "É um direito que ele tem de ir onde bem entender". Ele assegurou que a atitude não fere a delegação brasileira e ressaltou que "o presidente (Lula) o recebeu muito bem no Brasil".

A ausência de Lieberman foi uma das mais comentadas em Israel durante o discurso do presidente Lula no Parlamento israelense. O chanceler, que visitou o Brasil em novembro do ano passado, é líder do partido de extrema-direita Israel Beiteinu ("Israel Nossa Casa", em hebraico) e linha-dura na política externa.

De acordo com fontes próximas ao chanceler, ele estava na Knesset no momento da cerimônia em homenagem a Lula, mas decidiu boicotar o presidente e não entrou no plenário. Segundo os assistentes do ministro, a decisão de não participar da cerimônia foi proposital, "porque ele (Lula) não seguiu o protocolo".

A imprensa em Israel criticou o presidente brasileiro pela decisão de homenagear o líder palestino Yasser Arafat, morto em 2004, e não fazer o mesmo no lado israelense, depositando uma coroa de flores no túmulo de Theodor Herzl, fundador do sionismo moderno.

Embora o protocolo em geral inclua uma homenagem no túmulo de Herzl, fontes no ministério de Relações Exteriores explicam que desde a morte do ex-premiê Itzhak Rabin, em 1994, a regra mudou.

A homenagem de Lula a Arafat será feita, de acordo com a agenda oficial, na manhã de quarta-feira, em Ramala. O Ministério israelense de Relações Exteriores ficou visivelmente incomodado com a decisão do Itamaraty de não incluir a visita ao túmulo do líder sionista. Funcionários do MRE israelense chegaram a insistir com a delegação brasileira pedindo uma mudança no programa.

Fonte: Redação Terra
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