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Chancelaria britânica confirma conversa de Hague e Patriota

20 ago 2013
08h04
atualizado às 09h06
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Os ministros das Relações Exteriores do Brasil, Antônio Patriota, e do Reino Unido, William Hague, conversaram por telefone e acertaram que as autoridades de ambos os países "continuarão em contato" sobre o caso da detenção do brasileiro David Miranda em um aeroporto de Londres, confirmou nesta terça-feira a chancelaria britânica.

<p>David chegou ao Rio de Janeiro nesta segunda-feira e foi recebido pelo jornalista Glenn Greenwald</p>
David chegou ao Rio de Janeiro nesta segunda-feira e foi recebido pelo jornalista Glenn Greenwald
Foto: Ricardo Moraes / Reuters

Em comunicado, um porta-voz do ministério das Relações Exteriores britânico disse que os dois diplomatas "falaram por telefone ontem pela tarde" sobre a detenção neste domingo no aeroporto de Heathrow de Miranda, companheiro de Glenn Greenwald, repórter do jornal The Guardian que divulgou as revelações do ex-prestador de serviços da CIA Edward Snowden.

"Ambos concordaram que as autoridades brasileiras e britânicas continuarão em contato sobre este assunto", acrescentou o porta-voz. No entanto, a chancelaria britânica frisou na nota, como também foi feito ontem por um porta-voz de Downing Street, residência oficial do primeiro-ministro do Reino Unido, que "este assunto continua sendo um tema operacional da polícia metropolitana".

Miranda foi detido no domingo durante nove horas com base na lei antiterrorista britânica, que permite deter indivíduos sem que existam acusações, quando ele fazia escala em Londres. Miranda vinha de Berlim e estava a caminho do Rio de Janeiro, onde vive com Greenwald.

Os agentes confiscaram todos seus objetos eletrônicos, segundo o "The Guardian". Sua detenção gerou várias queixas por parte da oposição trabalhista britânica. Já o governo brasileiro emitiu um comunicado condenando a ação e classificando a detenção de Miranda de "injustificável", já que contra ele não havia nenhuma acusação.

Greenwald disse que a retenção de seu companheiro em Londres foi um "profundo ataque contra liberdades de imprensa" e que representa uma "mensagem de intimidação aos que informaram sobre a NSA (Agência de Segurança Nacional dos Estados Unidos) e o centro de escutas britânico".

Em comunicado divulgado ontem à noite, a polícia metropolitana defendeu o uso da lei antiterrorista no caso de Miranda e disse que se tratou de um procedimento "revisado de ponta a ponta para assegurar que o interrogatório era tanto necessário como proporcional".

Espionagem americana no Brasil
Matéria do jornal O Globo de 6 de julho denunciou que brasileiros, pessoas em trânsito pelo Brasil e também empresas podem ter sido espionados pela Agência de Segurança Nacional dos Estados Unidos (National Security Agency - NSA, na sigla em inglês), que virou alvo de polêmicas após denúncias do ex-técnico da inteligência americana Edward Snowden. A NSA teria utilizado um programa chamado Fairview, em parceria com uma empresa de telefonia americana, que fornece dados de redes de comunicação ao governo do país. Com relações comerciais com empresas de diversos países, a empresa oferece também informações sobre usuários de redes de comunicação de outras nações, ampliando o alcance da espionagem da inteligência do governo dos EUA.

Ainda segundo o jornal, uma das estações de espionagem utilizadas por agentes da NSA, em parceria com a Agência Central de Inteligência (CIA) funcionou em Brasília, pelo menos até 2002. Outros documentos apontam que escritórios da Embaixada do Brasil em Washington e da missão brasileira nas Nações Unidas, em Nova York, teriam sido alvos da agência.

Logo após a denúncia, a diplomacia brasileira cobrou explicações do governo americano. O ministro das Relações Exteriores, Antonio Patriota, afirmou que o País reagiu com “preocupação” ao caso.

O embaixador dos Estados Unidos, Thomas Shannon negou que o governo americano colete dados em território brasileiro e afirmou também que não houve a cooperação de empresas brasileiras com o serviço secreto americano.

Por conta do caso, o governo brasileiro determinou que a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) verifique se empresas de telecomunicações sediadas no País violaram o sigilo de dados e de comunicação telefônica. A Polícia Federal também instaurou inquérito para apurar as informações sobre o caso.

Após as revelações, a ministra responsável pela articulação política do governo, Ideli Salvatti (Relações Institucionais), afirmou que vai pedir urgência na aprovação do marco civil da internet. O projeto tramita no Congresso Nacional desde 2011 e hoje está em apreciação pela Câmara dos Deputados.

EFE   
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