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CCs serão extintos em Salvador, afirma novo prefeito

9 jan 2009
08h12
atualizado às 11h37

O prefeito de Salvador João Henrique Carneiro (PMDB) tem sua história de vida ligada à política baiana muito antes de conseguir o seu primeiro voto. Filho do Senador João Durval Carneiro (PDT), cresceu no meio dos bastidores do governo da Bahia e iniciou sua carreira como vereador em Salvador pelo extinto PFL, hoje DEM.

Antes de se eleger como prefeito de Salvador, em seu primeiro mandato, chegou ao cargo de deputado estadual. Ao longo dos anos, consolidou momentos importantes de sua carreira ao lado do ex-governador Antonio Carlos Magalhães.

João Henrique Cardoso foi reeleito em 2008 com um índice de aprovação de 58,46%, computando nas urnas o total de 753.487 votos válidos.

Quais os maiores problemas enfrentados atualmente por Salvador?
Salvador tem muitas prioridades e seria difícil eleger uma delas. Tudo é problema numa cidade grande. Sabemos que a distribuição de renda deixa a desejar, bem como a ocupação do solo. Haverá no nosso governo uma administração com novas políticas publicas para a cidade para que os grandes investimentos retornem a Salvador. Não nos falta coragem para encarar esse desafio de mais 4 anos de governo.

Quais são as prioridades dos próximos 4 anos?
O emprego e a distribuição de renda devem ser encarados como partes de uma prioridade. Temos uma cidade muito desigual. A cidade reconhece o que fizemos pelo subúrbio, onde tiramos a nossa maior votação. A população reconheceu o nosso esforço por uma cidade mais igual e por isso tivemos uma votação boa nessa parte.

O que fazer para atrair mais empresários à cidade?
Temos que aumentar o empreendimento na cidade. Temos que ter incentivos tributários para que o empresário se sinta atraído a investir aqui e enxergue também a cultura baiana. Ao contrario do que se diz no sul do pais, nós temos um povo muito trabalhador. Nossa cidade é única. Já fomos a primeira capital do Brasil e hoje somos a terceira em população.

Como se deve proceder para diminuir as diferenças sociais?
Vamos continuar com o processo de redistribuição de renda. Salvador ainda tem a renda desigual. Bairros ricos e extremamente pobres. Queremos consolidar esse processo.

O que fazer para diminuir os gastos?
Secretariado. Eram 17 nomes e reduzimos para 11. Fizemos esse enxugamento porque entendemos que num momento complicado como o que passamos, diante da crise econômica mundial, temos que diminuir os gastos. Acho que nenhuma outra prefeitura no Brasil reduziu tanto.

Essa redução de secretarias será boa para a administração?
A redução das secretarias vai dar mais agilidade porque teremos reuniões mais rápidas. As políticas publicas que eram feitas por 18 secretarias serão feitas apenas por 11. Isso deve aumentar também a agilidade. Acho que é um modelo moderno, ágil e transparente.

A informatização do sistema administrativo trará benefícios a população?
O enxugamento e a informatização devem agilizar nossa vida. Queremos que o cidadão possa tirar seus alvarás o mais rápido e pagar suas contas de forma ágil. Iremos proporcionar isso a eles, para que os cidadãos possam fazer esse tipo de serviços publicos serviços sem precisar se deslocar até o centro da cidade.

Como vão ficar os cargos públicos?
Os cargos comissionados (CCs) serão extintos. O funcionário público que não é de carreira, que vem por fora, geralmente por indicação política, será excluído. Os servidores de carreira não.

Salvador ainda depende do governo estadual?
Salvador sempre teve esse grave problema histórico de depender do dinheiro do Estado. Reduzimos em 50% os gastos no segundo escalão. Precisamos fazer uma revisão do IPTU e agilizar a liberação de novas construções da cidade. Queremos fazer com que as liberações da Sucon(Superintendência de Controle e Ordenamento do Uso do Solo do Município)sejam mais rápidas. Grandes empreendedores já reconhecem que Salvador tem crescido nesse aspecto.

A prefeitura irá trabalhar ao lado da Câmara de Vereadores?
Eu espero uma boa relação com a Câmara de Vereadores. É necessária essa convivência harmônica entre os dois poderes. É necessário para o governo da cidade. Isso é o que Salvador espera de nós.

O metrô será entregue ainda nesse ano?
Apesar de todos os percalços que houve nos últimos 10 anos das obras do metrô, acho que essa novela se encerra em 2009. Queremos entregar essa obra em julho, aguardada há vinte anos. Avançamos muito nos últimos meses. Encontramos a obra com 20% e estamos com ela feita em 90%. Ele deverá ser entregue até julho de 2009.

Os projetos públicos do novo mandato já foram iniciados?
Os projetos já estão iniciados. Temos o projeto de ciclismo, requalificação das barracas de praia e aeroclube. Temos uma serie de projetos iniciados. O ônibus com a metade dos preços em alguns bairros também será mantido. E muito mais fácil se suceder do que entrar num governo de outra administração.

A administração recomeça do zero ou será dada uma continuidade no trabalho que já foi desenvolvido?
A principal meta é continuar a meta dos primeiros 4 anos. Redistribuir a renda. Incluir o subúrbio ferroviário no que diz respeito ao crescimento e modernização da sociedade. As ilhas de Salvador e toda a região mais humilde sempre foram muito esquecidas. Vamos continuar a dar uma atenção a essas regiões.

Como está a estrutura político partidária para os próximos 4 anos?
Nós estamos com um leque de partido que nos apóiam aqui e em Brasília. E um momento político muito mais rico, muito mais forte para esses quatro anos.

Fonte: Especial para Terra
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