Câmara decide entre plebiscito e referendo na próxima semana

  • Luciana Cobucci
Luciana Cobucci
Direto de Brasília
atualizado às 18h50
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A Câmara dos Deputados vai decidir na próxima terça-feira se o caminho para a reforma política será trilhado por meio de plebiscito, como sugeriu a presidente Dilma Rousseff, ou por referendo, como propuseram outros líderes de partidos. O presidente da Câmara, Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN), deu o prazo de uma semana para que os líderes discutissem com suas bancadas a melhor opção. A decisão foi tomada hoje em reunião de líderes da Câmara.

Se a maioria dos deputados optar pelo referendo, a ideia é formar um grupo de trabalho, que terá 90 dias para montar uma proposta de reforma política, que deverá ser votada pelo Congresso e depois referendada pela população. No plebiscito, as perguntas são feitas diretamente para a população e, posteriormente, o Congresso vota as leis para fazer valer a vontade da sociedade.

"Diante das dificuldades, entendo que o plebiscito só se viabilizaria diante do consenso desta Casa, não quero correr o risco de o plebiscito ser inviabilizado e esta Casa perca a oportunidade mais uma vez de votar a reforma política. O plebiscito é um caminho, mas quero uma carta de seguro. Se por acaso ele se não se viabilizar, não vamos deixar esse vácuo de novo. Estou apenas criando um paralelo, uma alternativa para o caso de o plebiscito não caminhar", afirmou Henrique.

Impasse
O líder do governo na Câmara disse que durante a reunião de hoje, um dos partidos da base aliada ao governo Dilma afirmou ser a favor da realização de um referendo. O impasse e a confusão no entendimento dos procedimentos são evidentes. Na saída da reunião de hoje, cada líder de partido deu uma declaração diferente a jornalistas. Ficou claro, no entanto, que as mudanças não devem valer para as eleições de 2014 por falta de tempo hábil para a votação.

Protestos contra tarifas mobilizam população e desafiam governos de todo o País
Mobilizados contra o aumento das tarifas de transporte público nas grandes cidades brasileiras, grupos de ativistas organizaram protestos para pedir a redução dos preços e maior qualidade dos serviços públicos prestados à população. Estes atos ganharam corpo e expressão nacional, dilatando-se gradualmente em uma onda de protestos e levando dezenas de milhares de pessoas às ruas com uma agenda de reivindicações ampla e com um significado ainda não plenamente compreendido.

Dilma e oposição ainda discutirão reforma política Clique no link para iniciar o vídeo
Dilma e oposição ainda discutirão reforma política

A mobilização começou em Porto Alegre, quando, entre março e abril, milhares de manifestantes agruparam-se em frente à Prefeitura para protestar contra o recente aumento do preço das passagens de ônibus; a mobilização surtiu efeito, e o aumento foi temporariamente revogado . Poucos meses depois, o mesmo movimento se gestou em São Paulo, onde sucessivas mobilizações atraíram milhares às ruas; o maior episódio ocorreu no dia 13 de junho, quando um imenso ato público acabou em violentos confrontos com a polícia .

O grandeza do protesto e a violência dos confrontos expandiu a pauta para todo o País. Foi assim que, no dia 17 de junho, o Brasil viveu o que foi visto como uma das maiores jornadas populares dos últimos 20 anos . Motivados contra os aumentos do preço dos transportes, mas também já inflamados por diversas outras bandeiras, tais como a realização da Copa do Mundo de 2014, a nação viveu uma noite de mobilização e confrontos em São Paulo , Rio de Janeiro , Curitiba , Salvador , Fortaleza , Porto Alegre e Brasília .

A onda de protestos mobiliza o debate do País e levanta um amálgama de questionamentos sobre objetivos, rumos, pautas e significados de um movimento popular singular na história brasileira desde a restauração do regime democrático em 1985. A revogação dos aumentos das passagens já é um dos resultados obtidos em São Paulo e outras cidades , mas o movimento não deve parar por aí. “Essas vozes precisam ser ouvidas”, disse a presidente Dilma Rousseff , ela própria e seu governo alvos de críticas.

Terra

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