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Brasileiro é retido por 9 horas em Londres por suposta ligação com Snowden

18 ago 2013
18h28
atualizado às 18h34

O governo brasileiro manifestou neste domingo preocupação pela detenção em Londres do brasileiro David Miranda, companheiro do jornalista americano para quem o ex-analista da NSA Edward Snowden entregou vários dos documentos sobre a espionagem eletrônica e telefônica dos Estados Unidos no mundo todo.

O Itamaraty qualificou em comunicado como "injustificável" a detenção de Miranda, retido por nove horas quando embarcava no aeroporto Heathrow, em Londres, para o Brasil.

"O governo brasileiro manifesta grave preocupação com o episódio ocorrido no dia de hoje em Londres, onde um cidadão brasileiro foi retido e mantido incomunicável no aeroporto de Heathrow por nove horas, em ação baseada na legislação britânica de combate ao terrorismo" afirmou o comunicado.

A diplomacia brasileira ainda disse esperar que não se repitam incidentes como o deste domingo com cidadãos brasileiros. "Trata-se de medida injustificável por envolver indivíduo contra quem não pesam quaisquer acusações que possam legitimar o uso de referida legislação. O governo brasileiro espera que incidentes como o registrado hoje com o cidadão brasileiro não se repitam"

Apesar da nota o Itamaraty não identificou o cidadão. O inglês "Guardian" também denunciou a prisão do brasileiro, que vive no Rio de Janeiro com o jornalista Glenn Greenwald, colunista do jornal.

Greeenwald foi o responsável por publicar em sua coluna no "Guardian" os primeiros documentos vazados por Snowden sobre os programas secretos de espionagem eletrônica do governo americano.

O jornalista, que reside no Brasil, alega ter entre 15 mil e 20 mil documentos ainda não divulgados entregues pelo ex-técnico da Agência Nacional de Segurança (NSA) dos Estados Unidos, atualmente está asilado na Rússia.

Segundo "Guardian", a detenção de Miranda foi justificada com base em um controvertido artigo da lei antiterrorista britânica que permite a detenção de suspeitos sem mandado judicial e sem acesso a um advogado.

O jornal ainda acrescentou que, apesar do brasileiro ter sido liberado, a polícia confiscou todos os seus equipamentos eletrônicos, incluindo celular, notebook, câmera, cartão de memória, DVDs e aparelhos de video-games.

Antes de ser detido em Londres, Miranda visitou em Berlim a documentalista Laura Poitras, que trabalha com Greenwald e outros jornalistas do " Guardian" na análise dos documentos entregues por Snowden.

EFE   
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