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Brasil acumulou déficit de 54 mil médicos na última década

23 mai 2013
14h40

O Brasil - que negocia a possível contratação de médicos espanhóis, cubanos e portugueses para atender áreas carentes - acumulou na última década um déficit de 54 mil médicos, informou nesta quinta-feira o Ministério da Saúde.

Segundo dados oficiais citados em comunicado divulgado pelo Ministério, entre 2003 e 2012 o país ofereceu novos postos de trabalho para 147 mil médicos e só formou 93 mil profissionais.

A nota, em resposta às críticas de entidades profissionais que questionam a decisão do Governo de "importar" médicos, assegura que esse déficit tende a aumentar perante a necessidade do Ministério da Saúde de contratar 26.311 médicos para os postos de saúde e hospitais públicos que serão construídos até 2014.

O Ministério lembra que no último concurso que realizou para enviar médicos a carentes áreas em 1.307 municípios só conseguiu contratar 3.800 profissionais apesar de terem sido oferecidos 13 mil vagas de trabalho com salários de R$ 8.000 e diferentes benefícios trabalhistas.

Segundo a nota, enquanto que o Brasil tem um médico para cada mil habitantes, a Argentina tem 3,2 e o México 2,0.

O Ministério assegura que, para igualar o sistema de saúde da Inglaterra, que o Brasil adotou como modelo e em onde há 2,7 médicos por cada mil habitantes, o país precisaria contar com 168.424 profissionais.

"Este déficit é um dos principais gargalos para poder ampliar a saúde pública e será enfrentado pelo Governo com medidas para levar mais médicos às regiões que mais necessitam deles", segundo o comunicado.

"A solução não é só trazer médicos estrangeiros. Essa é só uma parte da solução", assegurou o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, em um evento nesta quinta-feira na cidade de Belo Horizonte.

O ministro lembrou que países como Inglaterra e Canadá também contrataram médicos estrangeiros para suprir seu déficit de profissionais em cidades do interior.

O Brasil está negociando com Portugal, Espanha e Cuba a possibilidade de contratar médicos desses países aos quais lhes oferecerá cursos de português (para espanhóis e cubanos) e vistos de trabalho dentre dois e três anos para atender as áreas carentes, principalmente rurais, nas quais a atenção de saúde é deficitária.

Apesar do número de médicos estrangeiros contratados ainda não foi estabelecido, o ministro das Relações Exteriores, Antonio Patriota, assegurou em reunião com autoridades cubanas este mês que o Brasil necessitaria de pelo menos 6.000 profissionais de Cuba.

O Conselho Federal de Medicina (CFM) do Brasil, entidade que regula o exercício da profissão no país, se opõe à iniciativa.

O CFM disse condenar "qualquer iniciativa que proporcione a entrada irresponsável de médicos estrangeiros e de brasileiros com diplomas de medicina obtidos no exterior sem sua respectiva revalidação".

EFE   
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