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Bolívia e Brasil criam comissão para tratar caso de senador asilado

2 mar 2013
14h55
atualizado em 4/3/2013 às 15h34

Os governos da Bolívia e Brasil fecharam um acordo neste sábado para criar uma comissão de autoridades e especialistas que analisará o caso do senador boliviano Roger Pinto, asilado há mais de nove meses na embaixada brasileira em La Paz.

O anúncio foi feito pelos chanceleres da Bolívia, David Choquehuanca, e do Brasil, Antonio Patriota, após uma reunião na cidade de Cochabamba. Patriota também se encontrou com o presidente boliviano, Evo Morales.

O chanceler brasileiro disse que o assunto do senador é "importante" e por isso foi estabelecido "um grupo de trabalho que contará com representantes das chancelarias e especialistas na matéria para um exame de todos os aspectos relevantes ao caso".

Já Choquehuanca disse que "ambos os países desejam superar este assunto". Roger Pinto permanece asilado na embaixada brasileira em La Paz desde 28 de maio do ano passado, alegando que é vítima de uma "perseguição política" por acusar o governo Morales de corrupção e conivência com o narcotráfico.

O senador temia ser preso porque mais de 20 processos, em diversas cidades bolivianas, foram abertos contra ele pelo governo. O Executivo boliviano negou até agora a permissão de saída do país ao senador, alegando que o político está envolvido atos de corrupção.

A embaixada brasileira na Bolívia habilitou um espaço especial para o senador, com grades de segurança na janela e uma área com cama, mesa e uma pequena sala para reuniões.

Desde que Morales assumiu a presidência, em 2006, dezenas de dirigentes da oposição fugiram da Bolívia e procuraram refúgio no Brasil, Paraguai, Estados Unidos, Peru e Espanha, entre outros países, após acusar o governo de perseguição política e argumentar que não terão um julgamento justo em seu próprio território.

O Executivo nega que exista presos ou perseguidos políticos e argumenta que se tratam de casos de corrupção.

Os chanceleres também abordaram outros temas da agenda bilateral, incluídas a luta conjunta contra o narcotráfico e a integração comercial.

Choquehuanca anunciou que neste mês será realizada uma reunião entre os ministros da Defesa e chefes das Forças Armadas de ambos os países para coordenar ações conjuntas de controle na fronteira da Bolívia com o Brasil, de 3.600 quilômetros.

Também está previsto um encontro entre empresários dos dois países para "fortalecer os laços comerciais, industriais e de investimento", segundo Choquehuanca.

O ministro boliviano agradeceu o apoio do Brasil para que a Bolívia inicie o processo de adesão como membro pleno do Mercosul. Choquehuanca também afirmou que a Bolívia respalda o candidato brasileiro à direção geral da Organização Mundial do Comércio (OMC), Roberto Azevêdo.

Além disso, os ministros conversaram sobre a próxima reunião que Morales realizará com a presidente Dilma Rousseff, anunciada para abril, na Bolívia, mas que ainda não tem data definida.

EFE   
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