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Bolívia descarta ruptura com Brasil mas quer relatório sobre fuga de senador

25 ago 2013
16h43
atualizado às 16h55

O governo da Bolívia afirmou neste domingo que a relação com o Brasil não será afetada em função da fuga do senador Roger Pinto da embaixada brasileira em La Paz sem permissão legal, mas ainda espera uma explicação de Brasília sobre o assunto.

Apesar do presidente boliviano, Evo Morales, não ter dado declarações sobre a questão em um discurso feito hoje, fontes oficiais disseram que o governante está "obviamente surpreendido" com o sucedido.

Além disso, dois ministros bolivianos afirmaram que as relações entre os dois países não serão afetadas, mas que Roger Pinto pode ser considerado um fugitivo.

"Este caso não afeta as relações com o Brasil. As relações entre Bolívia e Brasil se mantêm em uma situação de absoluta cordialidade e respeito", disse a ministra de Comunicação, Amanda Dávila, em entrevista coletiva no Palácio de Governo.

"O governo boliviano e o presidente Evo Morales expressaram sempre e seguirão demonstrando todo seu afeto e respeito pela presidente Dilma Rousseff e o governo brasileiro", acrescentou.

O senador chegou em Brasília após deixar a embaixada brasileira em La Paz, onde se refugiou durante quinze meses. Roger Pinto chegou na legação em 28 de maio de 2012 e dez dias depois obteve asilo político por parte do Brasil.

O ministro da Presidência, Juan Ramón Quintana, argumentou que "não há uma ruptura nas relações bilaterais". O dirigente disse que não acredita nesta possibilidade pois em casos em que políticos bolivianos fugiram para o Paraguai e os Estados Unidos não houve uma crise diplomática.

"Com o Brasil temos que ser muito prudentes. O que é Roger Pinto no meio de uma dinâmica comercial de dois e três bilhões de dólares? O que é Roger Pinto? Um suspiro no ar. Não se deve dar mais voo do que tem", questionou.

No entanto, o governo boliviano também disse que o Brasil deve explicar como ocorreu a fuga do senador opositor do país, pois o político não tinha permissão legal para deixar a embaixada e existem quatro ordens judiciais que impediam sua saída.

A Bolívia, segundo Quintana, deseja que o Brasil explique o caso por vias diplomáticas, pois não acredita na versão do uso de um veículo oficial e do acompanhamento de militares brasileiros na saída de Roger Pinto.

O presidente da Comissão de Relações Exteriores do Senado, Ricardo Ferraço (PMDB-ES), recebeu hoje Roger Pinto em Brasília e afirmou que o político saiu da Bolívia em um veículo oficial brasileiro e escoltado por fuzileiros navais.

Segundo sua versão, Roger Pinto foi levado por terra até Corumbá, no Mato Grosso do Sul, em uma viagem que durou 22 horas.

O Ministério das Relações Exteriores do Brasil informou hoje que investigará as "circunstâncias" nas quais Pinto saiu da embaixada em La Paz e chegou ao país.

Quintana também descartou uma possível solicitação de extradição, mas afirmou que Pinto fugiu como um "criminoso comum" e que a promotoria boliviana é quem deve pedir sua captura para a Interpol.

Além disso, Amanda Dávila deixou claro que a Bolívia "não negociou a saída" do senador e não concedeu o salvo-conduto para que fosse ao Brasil pois o parlamentar enfrenta processos por corrupção e inclusive foi condenado a um ano de prisão em um dos casos.

De acordo com sua opinião, Roger Pinto conseguiu asilo político "com informação absolutamente falsa e tendenciosa" e com o propósito de "obstaculizar as relações entre Bolívia e Brasil".

O senador opositor boliviano negou várias vezes sua responsabilidade nas cerca de vinte denúncias de corrupção que pesam contra ele em várias cidades do país. Roger Pinto argumenta que as investigações dos casos são manipuladas.

O senador foi para a embaixada do Brasil há quinze meses, após fazer várias denúncias de corrupção e conivência com o narcotráfico por parte do governo.

EFE   

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