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Após denúncia, ministro diz que vai 'desmascarar farsa'

15 out 2011
12h43
atualizado às 13h10
Diogo Alcântara
Direto de Brasília

O ministro do Esporte, Orlando Silva (PCdoB), postou em seu perfil no microblog Twitter que vai conceder uma entrevista em Guadalajara, para "desmascarar a farsa" publicada na última edição da revista Veja. "Daqui a uma hora farei uma entrevista coletiva, aqui mesmo em Guadalajara, México, para desmascarar a farsa publicada hoje", escreveu. O ministro viajou para o país para acompanhar a abertura dos jogos Pan-Americanos.

Segundo denúncias da revista, diversos membros do PCdoB, inclusive o ministro, faziam parte do esquema de irregularidades envolvendo convênios entre o ministério e ONGs. A presidência do partido disse que ainda está lendo as denúncias e que não tem uma resposta oficial.

Fontes no governo afirmam que o a Copa do Mundo de 2014 e as Olimpíadas de 2016, chamados de megaeventos esportivos, elevaram a importância do, antes pequeno, ministério do Esporte. Nos bastidores, partidos grandes da base aliada, como PT e PMDB, cobiçariam o comando da pasta, que além de visibilidade política, conta com um orçamento muito mais robusto.

Na reportagem da Veja, um dos cinco presos em 2010 acusados de desviar dinheiro de um programa do governo federal para incentivar crianças carentes a praticar esportes acusa o ministro de liderar o esquema de corrupção na pasta. Investigações apontavam diversos membros do PCdoB como protagonistas das irregularidades, mas é a primeira vez que o nome do ministro é mencionado por um dos suspeitos, o policial militar e militante do partido João Dias Ferreira, como mentor e beneficiário. O esquema pode ter desviado mais de R$ 40 milhões em oito anos.

Segundo Ferreira, as ONGs recebiam verbas mediante o pagamento de uma taxa que podia chegar a 20% do valor dos convênios. Orlando Silva teria recebido, pessoalmente, dentro da garagem do Ministério, uma caixa de papelão cheia de cédulas de R$ 50 e R$ 100 provenientes da quadrilha. Parte desse dinheiro, acusa a Veja, foi usada para pagar despesas da campanha presidencial de 2006.

Ferreira afirma que o programa Segundo Tempo funcionava como fonte de caixa dois do PCdoB ainda na gestão do ex-ministro Agnelo Queiroz, hoje governador do Distrito Federal, mas que a gerência do esquema já era de Orlando, então secretário executivo da pasta. O militar seria responsável por duas das ONGs "amigas" de Agnelo, a partir das quais se efetivavam os desvios. Sentindo-se "abandonado" pelo partido diante da divulgação de denúncias, Ferreira teria recebido de Orlando, após ameaçar levar a público o que sabia, a garantia de que "tudo ia ficar bem". O ministro, por meio de nota, negou as acusações e disse que acionaria judicialmente os caluniadores.

Fonte: Terra
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