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Ameaças a Freixo não têm solução, diz ex-secretário de Segurança

1 nov 2011 12h41
| atualizado às 13h16
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Mauricio Tonetto

O ex-secretário nacional de Segurança Pública (2003) e coordenador de Segurança, Justiça e Cidadania do Rio de Janeiro (1999) Luiz Eduardo Soares é amigo do deputado estadual Marcelo Freixo (Psol-RJ). Além de atuarem em áreas semelhantes, eles compartilham também a pressão de viver sob intimidação e a difícil rotina de não saber o que pode acontecer. Nesta terça-feira, Freixo deixa o País, a convite da Anistia Internacional, após receber diversas ameaças de morte. Para Soares, que também teve de se exilar, esta saída do parlamentar é "muito oportuna". Porém, ele não vislumbra uma solução para o problema.

O deputado estadual Marcelo Freixo (Psol-RJ) vai para a Europa após receber diversas ameaças de morte
O deputado estadual Marcelo Freixo (Psol-RJ) vai para a Europa após receber diversas ameaças de morte
Foto: Divulgação

"A questão individual do Marcelo não tem solução. Ele deve apenas tentar se proteger. Eles (criminosos) aproveitam a fragilidade da segurança para agir e ninguém sabe os detalhes, não existe uma forma de mensurar os riscos. O que nós precisamos é mudar as polícias do Rio profundamente. Você vê que o problema está retornando, pois a fonte da corrupção policial, com essa estrutura, é inesgotável", disse ele.

Soares é pós-doutor em filosofia política e, durante o governo de Anthony Garotinho (então no PDT), se destacou no combate ao crime organizado dentro das polícias cariocas. Isso lhe rendeu uma série de ameaças e, após oito meses dentro do governo, foi exonerado em 2000 por Garotinho por adotar uma "posição radical" em relação à corrupção institucional da polícia. Segundo ele, com o fim da escolta particular, um exílio forçado se fez necessário.

"Sair costuma ser muito bom para dar uma relaxada, o nível de tensão é muito alto. É um descanso e também uma forma de esvaziar um pouco a pressão que os grupos fazem. As ameaças cumprem um objetivo. Mesmo não se consumando a morte, elas conseguem acuar e chantagear, deixando a pessoa intranquila e fazendo com que ela reduza um pouco sua circulação pela cidade e sua atuação", pondera.

Milícias 'enterraram' Soares diversas vezes
Quando trabalhava contra as milícias, Luiz Eduardo Soares e sua família viviam, como ele define, em uma "prisão", pois eram escoltados permanentemente. "Eles agiam como terroristas, matando algumas pessoas em assaltos que não existiam. Ligavam para a minha casa de madrugada e, quando eu não estava, falavam com a minha família e convidavam para o meu sepultamento, dizendo como eu tinha morrido. Passavam para a imprensa a notícia de minha morte ou de que eu havia acabo de sofrer um atentado", relata ele.

Soares ficou realmente preocupado quando descobriu um plano para sequestrar suas filhas e acabou indo embora para os Estados Unidos, retornando depois para Porto Alegre (RS) e se estabelecendo novamente no Rio de Janeiro em 2002. Apesar de sofrer algumas ameaças, ele considera hoje a situação tranquila.

Pressão política na prefeitura
O deputado Marcelo Freixo deve retornar ao Rio de Janeiro em dezembro e é cotado para concorrer ao cargo de prefeito da cidade em 2012. De acordo com Luiz Eduardo Soares, seria fundamental para o Rio ter um administrador combativo. "A sociedade tem vontade de mudanças, mas os governantes não têm sido capazes de enfrentar esse desafio. Porém, uma coisa é ameaçar um deputado, e outra é ameaçar o prefeito da segunda cidade mais importante do País. A luta que ele trava, que foi a minha luta, ganha um outro patamar se ele obtiver mais poder político", ressaltou.

Freixo foi o personagem Diogo Fraga no livro Elite da Tropa 2, escrito por Soares, que originou o filme Tropa de Elite 2, de José Padilha. No longa, Fraga é defensor dos direitos humanos e participa numa cena negociando com presos durante uma rebelião numa cadeia de segurança máxima do Rio de Janeiro. Os dois conversam frequentamente e Freixo foi aconselhado pelo ex-secretário a deixar o País.

CPI das Milícias
Em 2008, a CPI das Milícias da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro, coordenada por Marcelo Freixo, investigou a atuação de policiais corruptos no Estado. Mais de 200 pessoas, entre efetivos da Polícia Militar, Polícia Civil, Bombeiros e políticos locais foram indiciados.

Fonte: Terra
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