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Aécio admite que indicou prima de Cachoeira a cargo em MG

24 abr 2012
19h12
atualizado às 19h23

O senador Aécio Neves (PSDB-MG) admitiu nesta terça-feira que indicou, a pedido do senador Demóstenes Torres (sem partido-GO), uma prima do contraventor Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira, para ocupar um cargo no governo de Minas Gerais em 2011. Reportagem do jornal O Estado de S.Paulo aponta que Demóstenes intercedeu junto a Aécio para que Mônica Beatriz Silva Vieira assumisse o cargo de diretora regional da Secretaria de Estado de Assistência Social em Uberaba.

Em nota, Aécio afirma que desconhecia o parentesco de Mônica com o bicheiro e a origem do pedido feito por Demóstenes, então líder do DEM no Senado, "sobre o qual à época não recaía qualquer tipo de questionamento". Ainda de acordo com o senador, a solicitação de Demóstenes foi encaminhada para avaliação da Secretaria de Estado de Governo de Minas Gerais, a quem cabe a análise de demandas partidárias.

De acordo com Aécio, a secretaria informou que o currículo da prima de Cachoeira preenchia a qualificação para o cargo, já que ela havia sido diplomada em cursos de graduação e pós-graduação em pedagogia e tinha experiência profissional como coordenadora dos programas federais Pró-Jovem e Escola de Fábrica, além de ter sido professora da Universidade de Uberaba.

Segundo a reportagem, escutas telefônicas da Polícia Federal (PF) mostram que, do pedido de Cachoeira a Demóstenes até a nomeação de Mônica, bastaram apenas 12 dias e sete telefonemas. São citados nos telefonemas Marcos Montes (PSD), ex-prefeito de Uberaba, e Danilo de Castro, principal articulador político de Aécio em Minas Gerais e secretário de Governo da gestão de Antonio Anastasia (PSDB), atual governador do Estado. Aécio não aparece nas gravações porque não é alvo da investigação, mas é mencionado por Demóstenes e Cachoeira.

Carlinhos Cachoeira
Acusado de comandar a exploração do jogo ilegal em Goiás, Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira, foi preso na Operação Monte Carlo, da Polícia Federal, em 29 de fevereiro de 2012, oito anos após a divulgação de um vídeo em que Waldomiro Diniz, assessor do então ministro da Casa Civil, José Dirceu, lhe pedia propina. O escândalo culminou na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) dos Bingos e na revelação do suposto esquema de pagamento de parlamentares que ficou conhecido como mensalão.

Escutas telefônicas realizadas durante a investigação da PF apontaram contatos entre Cachoeira e o senador democrata Demóstenes Torres (GO). Ele reagiu dizendo que a violação do seu sigilo telefônico não havia obedecido a critérios legais.

Nos dias seguintes, reportagens dos jornais Folha de S.Paulo e O Globo afirmaram, respectivamente, que o grupo de Cachoeira forneceu telefones antigrampos para políticos, entre eles Demóstenes, e que o senador pediu ao empresário que lhe emprestasse R$ 3 mil em despesas com táxi-aéreo. Na conversa, o democrata ainda vazou informações sobre reuniões reservadas que manteve com representantes dos três Poderes.

Pressionado, Demóstenes pediu afastamento da liderança do DEM no Senado em 27 de março. No dia seguinte, o Psol representou contra o parlamentar no Conselho de Ética e, um dia depois, em 29 de março, o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Ricardo Lewandowski autorizou a quebra de seu sigilo bancário.

O presidente do DEM, senador José Agripino Maia (RN), anunciou em 2 de abril que o partido havia decidido abrir um processo que poderia resultar na expulsão de Demóstenes, que, no dia seguinte, pediu a desfiliação da legenda, encerrando a investigação interna. Mas as denúncias só aumentaram e começaram a atingir ouros políticos, agentes públicos e empresas.

Após a publicação de suspeitas de que a construtora Delta, maior recebedora de recursos do governo federal nos últimos três anos, faça parte do esquema de Cachoeira, a empresa anunciou a demissão de um funcionário e uma auditoria. O vazamento das conversas apontam encontros de Cachoeira também com os governadores Agnelo Queiroz (PT), do Distrito Federal, e Marconi Perillo (PSDB), de Goiás. Em 19 de abril, o Congresso criou a CPI mista do Cachoeira.

Fonte: Terra

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