Política

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23 de novembro de 2012 • 22h02 • atualizado às 22h07

Advogados livram ex-primeira-dama de Campinas de depoimento

Rosely não falou com a imprensa, e uma liminar impediu que jornalistas registrassem em imagens e som os depoimentos
Foto: Rose Mary de Souza / Especial para Terra
Rose Mary de Souza
Direto de Campinas

A expectativa de que a ex-primeira-dama e ex-chefe de gabinete de Campinas Rosely Nassin Jorge Santos desse sua versão sobre o escândalo do Caso Sanasa não se concretizou. Os advogados conseguiram livrá-la do depoimento à Justiça durante a audiência desta sexta-feira na sala do júri da Cidade Judiciária.

A sessão começou por volta da 16h, depois de um atraso de mais de duas horas devido a problemas de falta de energia elétrica e pane no ar condicionado. Em julgamento, o esquema de corrupção na Sociedade de Abastecimento de Água e Saneamento, que culminou no ano passado com as cassações do prefeito Helio de Oliveira Santos (PDT) e de seu sucessor o vice prefeito Demétrio Vilagra (PT). No total foram convocadas 22 pessoas e intimados 15 ex-gestores públicos da cidade e empresários que prestaram serviço para a Sanasa.

Apesar dos pedidos dos advogados, o juiz Nelson Augusto Bernardes determinou que um auditório fosse organizado em sala de júri para abrigar os depoentes e seus representantes. Os acusados se apresentaram com mais de um representante legal. Foram necessárias várias mesas e cadeiras para os cerca de 20 advogados.

Segundo o Gaeco (Grupo de Atuação Especial Contra o Crime Organizado) do Ministério Publico de Campinas ela seria a líder de um esquema de desvio de dinheiro de contratos e fraudes em licitações.

"Levei dinheiro para ela", diz delator

O único a falar foi o ex-presidente da Sanasa Luiz Augusto Castrillon de Aquino, que se beneficiou de uma delação premiada e contribuiu com informações sobre o suposto esquema na Justiça. "Com essa dor e esse pecado eu não morro: levei sim, inúmeras vezes dinheiro, volumes altíssimos, para a senhora dona Rosely, na prefeitura lá na sala que ela ocupava e na casa dela. Eram valises com volumes altíssimos de dinheiro", disse Aquino.

Aquino reafirmou ao juiz Nelson Bernardes todas as suas acusações e informações sobre o assunto. "Era dinheiro vivo", sustentou o ex-presidente da empresa, confirmando o que foi declarado em outros depoimentos. De acordo com ele, das empresas responsáveis por obras eram separados de 5 a 7% para ser entregue a ex-primeira-dama. Dos contratos de prestação de serviços o montante era 10%.

No começo da noite, os advogados solicitaram e foram atendidos em adiar o seu depoimento e dos outros intimados. De acordo com eles, várias testemunhas de defesa ainda não se pronunciaram e alguns serão inquiridos por carta precatória. Uma nova data será marcada pela Justiça. Rosely não falou com a imprensa. Uma liminar impediu que jornalistas registrassem em imagens e som os depoimentos. A plateia também foi impedida de se manifestar.

Em maio de 2011, a Justiça atendia ao pedido do Gaeco e expedia 11 mandados de prisão contra empresários, secretários e diretores da empresa Sanasa. Um mês depois outra lista com mandados de prisão incluiriam o vice-prefeito Demétrio Vilagra (PT), que passou uma noite na cadeia, e contra Rosely, que não fora localizada pela polícia. Os outros acusados, detidos por uma semana, foram postos em liberdade por força de habeas-corpus.

Em agosto, o prefeito Santos, que não foi implicado no processo por ter foro privilegiado, seria cassado pela Câmara de Vereadores e substituído por Vilagra, que também viria a ser cassado, em dezembro.

Especial para Terra