publicidade
30 de janeiro de 2013 • 12h56 • atualizado às 12h58

Abaixo-assinado na web pede veto à candidatura de Renan

O gramado em frente ao Congresso Nacional foi palco de um protesto nesta quarta-feira (30)
Foto: Elio Rizzo / Futura Press
  • Luciana Cobucci
    Direto de Brasília
 

Um abaixo-assinado que circula na internet pode comprometer a eleição quase certa de Renan Calheiros (PMDB-AL) para assumir a presidência do Senado nos próximos dois anos. O objetivo é colher 100 mil assinaturas. De acordo com os criadores do movimento, quando o abaixo-assinado atingir essa marca, o documento será lido no plenário do Senado por parlamentares contrários à candidatura do peemedebista. Até o final da manhã desta quarta-feira (30), o manifesto já contava com quase 60 mil apoiadores.


Os criadores do documento alegam que a candidatura e provável escolha de Renan é uma “vergonha” e alegam que a lei da Ficha Limpa precisa ser aplicada neste caso. “Após a aprovação da lei da Ficha Limpa e do julgamento do Mensalão, o País precisa deixar claro que não aceita mais que a moralidade pública fique em segundo plano”, defendem.
 
Um protesto também foi organizado nesta quarta-feira (30).  Dezenas de vassouras, baldes e panos de chão foram colocados no gramado no gramado em frente ao Congresso Nacional. A manifestação, organizada por entidades de movimentos anticorrupção com material nas cores da bandeira nacional, pedia aos senadores que escolhessem um presidente ficha limpa, capaz de dirigir o Senado "com independência e dignidade".
 
Renan Calheiros é suspeito de usar notas frias para tentar justificar o pagamento de despesas pessoais. Em 2007, Calheiros chegou a renunciar à presidência do Senado para escapar de um processo de cassação. O procurador-geral da República, Roberto Gurgel, ofereceu denúncia contra o parlamentar e afirmou que são “extremamente consistentes”.
 
A eleição da Mesa Diretora do Senado está marcada para esta sexta-feira (1). A candidatura de Renan ainda não está oficializada, mas é dada como certa pelos peemedebistas. O senador Randolfe Rodrigues (PSOL-AP) corre por fora com candidatura independente. 
 
O caso envolvendo Renan Calheiros tramita no STF desde 2007 sob o número 2593 e relatoria do ministro Ricardo Lewandowski. Desde então, o senador já teve seus sigilos fiscal e bancários quebrados por ordem do Supremo. A investigação, no entanto, estava nas mãos de Gurgel desde abril de 2011, tempo em que ele não fez mais nenhum pedido ao relator do caso.
 
Histórico
Em maio de 2007, surgiram as primeiras denúncias de que um lobista da empreiteira Mendes Júnior pagava R$ 12 mil mensais à jornalista Mônica Veloso como pensão alimentícia. A jornalista tem uma filha de Renan Calheiros. Em sua defesa, o senador apresentou documentos que comprovavam renda suficiente para pagar a pensão da filha e que não precisaria da ajuda de lobistas.
 
Diante disso, o Conselho de Ética da Casa recomendou a cassação do mandato do parlamentar, mas o plenário do Senado o absolveu por 40 votos contra, 35 a favor e seis abstenções. No entanto, a pressão fez com que Renan Calheiros renunciasse à presidência do Senado.
 
Naquele mesmo ano, uma nova denúncia abalou a história política do senador. Acusado de ter comprado rádios em Alagoas por meio de "laranjas", novamente Renan foi absolvido pelos colegas em nova votação pela cassação de seu mandato. Desta vez, o placar foi 48 votos contra e 29 a favor.
 
Outras quatro denúncias foram apuradas no Conselho de Ética, mas não chegaram a ser decididas em Plenário. Renan foi acusado de tráfico de influência junto à empresa Schincariol na compra de uma fábrica de refrigerantes, espionagem de parlamentares da oposição, participação em esquema de desvio de verbas públicas em ministérios do PMDB, seu partido, e de apresentar notas frias em nome de empresas fantasmas para comprovar rendimentos.
 
Terra