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Dilma apoiou compra no Japão com cláusula similar à de Pasadena

Presidente disse que não sabia de cláusulas da compra da refinaria nos EUA em 2006, mas concordou com compra semelhante no ano seguinte ciente das condições

22 mar 2014
09h38
atualizado às 11h47
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Como presidente do Conselho de Administração da Petrobras, Dilma Rousseff aprovou, em 2007, a aquisição de parte de uma refinaria no Japão ciente da cláusula Put Option, que obriga uma das partes da sociedade a comprar a outra em caso de desentendimento. No entanto, a presidente alega que não teria concordado com a compra de uma refinaria nos Estados Unidos em 2006, que tinha cláusulas semelhantes. As informações são do Estado de S.Paulo.

A presidente Dilma Rousseff concede entrevista coletiva durante a cúpula UE-Brasil em Bruxelas, na Bélgica, em fevereiro. 24/02/2014
A presidente Dilma Rousseff concede entrevista coletiva durante a cúpula UE-Brasil em Bruxelas, na Bélgica, em fevereiro. 24/02/2014
Foto: Francois Lenoir / Reuters

Dilma disse ter autorizado a compra da refinaria japonesa Nansei Sekiyu baseada em um resumo elaborado pela diretoria internacional da Petrobras, na época comandada por Nestor Cerveró. Ela afirmou em comunicado ao jornal que o resumo contém a “existência de cláusulas contratuais que materializaram o Put Option, bem como as informações técnicas correspondentes”.

O que provocou forte reação no meio político e empresarial foi que, no caso da refinaria em Pasadena, nos EUA, a presidente tinha informado que o resumo que recebeu da diretoria, ainda comandada por Cerveró, era “falho” e omitia condições do contrato, como a de Put Option. Ela disse que, se soubesse das cláusulas, não teria apoiado o negócio. A compra desta refinaria resultou em um prejuízo de US$ 1 bilhão à petroleira, e Nestor Cerveró foi demitido nesta sexta-feira.

O ex-presidente da Petrobras, José Sérgio Gabrielli, disse em entrevista ao Valor Econômico que o Put Option era comum nos contratos das empresas, colocando em dúvida a suposta surpresa de Dilma com a cláusula no caso da refinaria americana.

A aquisição da refinaria Nansei se assemelha à compra de Pasadena. A refinaria japonesa custou US$ 71 milhões e não processa o óleo pesado produzido pelo Brasil, o que teria levado a Petrobras a fazer um investimento bilionário para adequá-la. Os investimentos, no entanto, nunca foram detalhados publicamente pela petroleira. Ela colocou a refinaria como um dos ativos dos quais quer se desfazer para reforçar o caixa.

 
Fonte: Terra
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