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Vigia: Mizael estava armado e carro de Mércia foi deixado em água rasa

28 jun 2012
01h04
atualizado às 12h42

Preso no último sábado, em Alagoas, o vigia Evandro Bezerra da Silva, acusado de envolvimento na morte de Mércia Nakashima, assassinada no dia 23 de maio de 2010, deu novos detalhes sobre o crime, em depoimento a policiais e advogados, reproduzido nesta quarta-feira na TV Globo. Evandro relembrou a noite do caso, quando disse ter ido buscar o policial aposentado Mizael Bispo de Souza perto da represa de Nazaré Paulista, sem saber o que acontecia: "eu não sabia o que estava acontecendo. Ele estava em uma festa com amigos e sem o carro. Disse que os amigos foram embora e deixaram ele lá", declarou.

Relembre o caso Mércia

Evandro afirmou que Mizael portava duas armas na noite do crime. "Era um 38 e uma pistola. Eu sei que ele estava com as duas armas dele", relatou. Depois de preso e libertado, ele teria ouvido ainda uma conversa entre Mizael e o irmão sobre o local em que o corpo e o carro de Mércia foram encontrados, na represa de Nazaré Paulista. "Eles disseram que não teriam que deixar o carro ali, tinha que ter puxado o carro mais para frente. Não era para deixar o carro naquele lugar, onde era raso e a água ia baixar. Depois, deu no que deu".

O depoimento de Evandro foi gravado pela polícia e pelo Ministério Público (MP) por precaução. Após o depoimento, o vigia foi levado de volta para o complexo penitenciário de Tremembé, no interior de São Paulo.

O caso Mércia
A advogada Mércia Nakashima, 28 anos, desapareceu no dia 23 de maio de 2010 e foi encontrada morta no dia 11 de junho, em uma represa em Nazaré Paulista, no interior de São Paulo. A perícia apontou que ela levou um tiro no rosto, mas morreu por afogamento quando seu carro foi empurrado para a água. O principal suspeito do crime é o ex-namorado de Mércia, o policial aposentado Mizael Bispo de Souza, que não aceitaria o fim do relacionamento. O vigia Evandro Bezerra Silva é suspeito de ter auxiliado Mizael no crime.

Logo após a morte de Mércia, Evandro teria fugido para Sergipe, onde foi preso em julho do mesmo ano. Em um primeiro momento, ele disse ter ajudado Mizael a fugir, mas voltou atrás depois, alegando ter sido torturado para confessar o crime. Rastreamento de chamadas telefônicas feito pela polícia com autorização da Justiça colocariam os dois na cena do crime, de acordo com as investigações. Além disso, a polícia encontrou nos sapatos do ex-policial pequenas manchas de sangue, fragmentos de osso e chumbo, além de uma alga presente na represa. Mizael chegou a ter a prisão decretada em agosto, mas o mandado foi revogado dias depois. No mesmo mês, Evandro foi solto. Ambos negam todas as acusações.

No dia 7 de dezembro de 2010, a Justiça de Guarulhos decretou a prisão preventiva de Mizael e de Evandro, e determinou que ambos fossem levados a júri popular pelo crime. O ex-namorado de Mércia foi denunciado por homicídio triplamente qualificado (motivo torpe, emprego de meio cruel e mediante recurso que dificultou a defesa da vítima) e ocultação de cadáver. O vigia foi denunciado por homicídio duplamente qualificado (emprego de meio insidioso ou cruel e mediante recurso que tornou impossível a defesa da vítima) e ocultação de cadáver.

Fonte: Terra
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