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Vaticano considera "justa" excomunhão de médicos brasileiros

7 mar 2009
07h12
atualizado às 10h36

O presidente da Comissão Pontifícia para a América Latina, o cardeal Giovanni Battista Re, considera "justa" a excomunhão dos médicos que praticaram legalmente um aborto de uma menina de 9 anos grávida de gêmeos após ter sido violentada pelo padrasto. "É um caso penoso, mas o verdadeiro problema é que os dois gêmeos concebidos eram pessoas inocentes, tinham direito de viver", afirma o cardeal em declarações publicadas neste sábado pelo jornal italiano La Stampa.

A interrupção voluntária da gravidez "sempre representa o assassinato de uma vida inocente e, para o código do direito canônico, quem pratica ou colabora diretamente com o aborto cai na excomunhão", acrescenta. A menina de 9 anos abortou na quarta-feira passada em um hospital público de Recife (PE), um dia depois que o arcebispo de Olinda e Recife, Dom José Cardoso Sobrinho, tentou convencer a mãe da menor a desistir da ideia.

O arcebispo anunciou pouco depois que os adultos que tiveram alguma participação no aborto incorreram em uma penalidade eclesiástica que é punida com a excomunhão. "A Igreja (Católica) sempre defendeu a vida e tem que seguir fazendo isso sem se adaptar às correntes da época ou à oportunidade política", diz o cardeal Re ao jornal italiano.

O chefe do departamento do Conselho Pontifício para a Família, Gianfranco Grieco, acredita que a Igreja não pode "trair" sua postura como a de defender a vida até seu fim natural, mesmo que seja um "drama humano como a violência sobre uma menina". A missão da Igreja Católica "é a defesa da vida e, por isso, cada um de nós deve ter um comportamento de grande respeito a esta gravíssima dor", diz Grieco, em declarações ao mesmo jornal italiano.

"Os bispos predicam justamente o mistério da vida, enquanto o aborto não é uma solução, é um atalho", acrescenta.

EFE   
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