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'Vamos chegar à Rocinha e ao Vidigal', diz Beltrame

28 nov 2010
21h37
atualizado às 21h46

O secretário de Segurança do Rio de Janeiro, José Mariano Beltrame, afirmou em entrevista coletiva na noite deste domingo que as forças de segurança superaram a "invencibilidade" dos traficantes do Complexo do Alemão. Com "o coração do mal do Rio" dominado, as autoridades passam a mirar a invasão em outras favelas. Beltrame afirmou que o Rio de Janeiro tem serviço de inteligência e que "se chegamos ao Alemão, vamos chegar à Rocinha e ao Vidigal".

Todo o material apreendido pela polícia na frente da Coordenadoria de Operações e Recursos Especiais (Core)
Todo o material apreendido pela polícia na frente da Coordenadoria de Operações e Recursos Especiais (Core)
Foto: Reinaldo Marques / Terra

"Além de conseguirmos o objetivo de tomar o território, se derrubou uma crença de invencibilidade", afirmou Beltrame, resumindo a operação que de acordo a assessoria da Secretaria de Segurança, apreendeu neste domingo cerca de 40 toneladas de maconha e 50 fuzis. Além disso, foram presas 20 pessoas, com 15 traficantes detidos.

No entanto, o secretário de Segurança afirmou que o trabalho não terminou. "Não vencemos a guerra, vencemos a mais importante e difícil batalha. Tem muito o que se fazer, mas demos um passo muito importante", disse Beltrame. "Nós não resolvemos todos os problemas, a caminhada ainda é muito grande. Mas demos passos muito importantes".

Somente a Polícia Civil apreendeu, no Complexo do Alemão, 13 t de maconha, 200 kg de cocaína, 10 kg de crack, 9 metralhadoras e mais de 10 mil munições de vários calibres. O números exatos do resultado da operação devem ser divulgados na segunda-feira

Angelo Joia, superintendente da Polícia Federal, disse que os agentes continuarão auxiliando o trabalho no Rio. "Vamos seguir na busca de uma sociedade mais traquila e livre das ações desses criminosos"

"O apoio da Marinha do Exército e do Estado foi fundamental para o sucesso da operação. Com a união das três forças chegamos ao final com a certeza de termos conseguido recuperar a autoridade do Estado sobre uma área do seu território", falou Adriano Pereira Júnior, comandante do Exército

Violência
Os ataques tiveram início na tarde de domingo, dia 21, quando seis homens armados com fuzis abordaram três veículos por volta das 13h na Linha Vermelha, na altura da rodovia Washington Luis. Eles assaltaram os donos dos veículos e incendiaram dois destes carros, abandonando o terceiro. Enquanto fugia, o grupo atacou um carro oficial do Comando da Aeronáutica (Comaer).

Cartas divulgadas pela imprensa na segunda-feira levantaram a hipótese de que o ataque teria sido orquestrado por líderes de facções criminosas que estão no presídio federal de Catanduvas, no Paraná. O governo do Rio afirmou que há informações dos serviços de inteligência que levam a crer no plano de ataque, mas que não há nada confirmado.

Na terça, todo efetivo policial do Rio foi colocado nas ruas para combater os ataques e foi pedido o apoio da Polícia Rodoviária Federal (PRF) para fiscalizar as estradas. Ao longo da semana, Marinha, Exército e Polícia Federal passaram a integrar as forças de segurança para combater a onda de violência.

Desde o início dos ataques, o governo do Estado transferiu 18 presidiários acusados de liderar a onda de ataques para o Presídio Federal de Catanduvas, no Paraná. Os traficantes Marcinho VP, Elias Maluco e mais onze presidiários que estavam na penitenciária de Catanduvas foram transferidos para o Presídio Federal de Porto Velho, em Rondônia.

Na quinta-feira, 200 policiais do Batalhão de Operações Especiais (Bope) entraram na vila Cruzeiro, no Complexo da Penha. Muitos traficantes fugiram para o Complexo do Alemão. O sábado foi marcado pelo cerco ao Complexo do Alemão. À tarde, venceu o prazo dado pela Polícia Militar para os traficantes se entregarem. Dentre os poucos que se apresentaram, está Diego Raimundo da Silva dos Santos, conhecido como Mister M, que foi convencido pela mãe e por pastores a se entregar. Na manhã de domingo, as forças efetuaram a ocupação do complexo.

Desde o início dos ataques, pelo menos 38 pessoas morreram em confrontos no Rio de Janeiro e 181 veículos foram incendiados.


Fonte: Redação Terra

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