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Suspeito de matar líder comunitário da Rocinha é preso no Rio

12 abr 2012
20h00
atualizado às 20h19
Giuliander Carpes
Direto do Rio de Janeiro

A Polícia Civil do Rio de Janeiro prendeu no final da tarde desta quinta-feira o traficante Thiago Martins Cafiero, o FM, acusado de envolvimento no assassinato de Vanderlan de Barros Oliveira, líder comunitário da Rocinha, no dia 26 de março. FM dirigia a moto para outro traficante, Wellington Cipriano da Silva Filho, o Vasquinho, cometer o assassinato.

Thiago Martins Cafiero, o FM, foi preso dentro da comunidade
Thiago Martins Cafiero, o FM, foi preso dentro da comunidade
Foto: Giuliander Carpes / Terra

A delegada Bárbara Bueno explicou que a delegacia chegou ao esconderijo de FM por meio de denúncias anônimas, que davam conta de que ele estaria escondido numa casa no Largo do Boiadeiro, na Rocinha. Quando os agentes chegaram ao local, o traficante tentou fugir pelo teto da casa, mas ficou preso e foi capturado, disse Bueno.

Segundo o delegado da Divisão de Homicídios, Rivaldo Barbosa, que conduz as investigações do caso, a prisão será fundamental para elucidar o caso. "A gente sabe que o FM dirigiu a moto e o Vasquinho foi o autor dos disparos, mas a motivação do crime ainda não está clara. Vamos interrogá-lo durante a noite toda para saber o que levou os dois a cometer o assassinato", afirmou Barbosa. A polícia ainda procura Vasquinho, que teria fugido da favela da Rocinha.

Durante conversa preliminar, FM disse ao delegado que ele e Vasquinho foram expulsos da favela por Neto, um dos novos chefes do tráfico da região depois da prisão de Antônio Francisco Bonfim Lopes, o Nem. No entanto, ele não explicou que ligação isso teria com o crime. FM já responde a processo na Justiça por tráfico de drogas.

A irmã de FM, que não quis se identificar, está na delegacia e disse que já esperava que a prisão fosse acontecer alguma hora. Ela admitiu que o irmão tinha envolvimento com o tráfico, mas assegura que ele não teve participação no crime. "A gente sabia que ele podia ser preso, mas por outros processos. No dia do crime, ele estava internado numa clínica, ele teve erisipela. Tenho certeza que o Thiago não participou desta morte", afirmou. Ela contou que FM pensou várias vezes em se entregar.

Nem e a tomada da Rocinha
O chefe do tráfico da favela da Rocinha, Antônio Francisco Bonfim Lopes, o Nem, foi preso pelo Batalhão de Choque da Polícia Militar no início da madrugada de 10 de novembro. Um dos líderes mais importantes da facção criminosa Amigos dos Amigos (ADA), ele estava escondido no porta-malas de um carro parado em uma blitz por estar com a suspensão baixa, em uma das saídas da maior favela da América Latina -, que havia sido cercada por policiais na noite do dia 8 de novembro.

Desde o dia anterior, a polícia já investigava denúncias de um possível plano para retirar o traficante da Rocinha. Além de Nem, três homens estavam no carro. Um se identificou como cônsul do Congo, o outro como funcionário do cônsul, e um terceiro como advogado - a embaixada da República do Congo, entretanto, informou não ter consulados no Rio. Os PMs pediram para revistar o carro, mas o trio se negou, alegando imunidade diplomática. Os agentes decidiram, então, escoltar o veículo até a sede da Polícia Federal. No caminho, porém, os ocupantes pediram para parar o carro e ofereceram R$ 1 milhão para serem liberados. Neste momento, os PMs abriram o porta-malas e encontraram Nem, que se escondia com R$ 59,9 mil e 50,5 mil euros em dinheiro.

Nem estava no comando do tráfico da Rocinha e do Vidigal, em São Conrado, junto de João Rafael da Silva, o Joca, desde outubro de 2005, quando substituiu o traficante Bem-te-vi, que foi morto. Com 35 anos, dez de crime e cinco como o chefe das bocas de fumo mais rentáveis da cidade, ele tinha nove mandados de prisão por tráfico de drogas, homicídio e lavagem de dinheiro. Nem possuía um arsenal de pelo menos 150 fuzis, adquiridos por meio da venda de maconha, cocaína e ecstasy, sendo a última a única droga consumida por ele. Com isso, movimentaria cerca de R$ 3 milhões por mês, graças à existência de refinarias de cocaína dentro da favela.

O fim do domínio de Nem na Rocinha foi o último obstáculo à entrada das forças de segurança na favela para a instalação de uma Unidade de Polícia Pacificadora (UPP). Na madrugada do dia 13 de novembro, agentes das polícias Civil, Militar e Federal, além de homens das Forças Armadas, iniciaram a ocupação do local escoltados por um forte aparato. No entanto, os traficantes já haviam deixado a comunidade, e a operação foi concluída sem qualquer confronto.

Fonte: Terra
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