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Suspeito de entregar rojão que feriu cinegrafista é preso no Rio

9 fev 2014
09h09
atualizado às 09h39
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Câmera flagra ação de suspeitos de jogar artefato que atingiu cinegrafista da Band

O tatuador Fábio Raposo, suspeito de participação na explosão do rojão que atingiu o cinegrafista da TV Bandeirantes Santiago Andrade, foi preso na manhã deste domingo em cumprimento a um mandado de prisão temporária expedido pela Justiça. Ele foi detido por policiais da 17ª Delegacia de Polícia (DP) na casa dos pais no Recreio dos Bandeirantes, zona oeste do Rio de Janeiro.

O jovem se apresentou durante a madrugada de sábado na 16ª Delegacia de Polícia, na Barra da Tijuca, onde negou sua participação no crime. No depoimento, Fábio alegou ter encontrado o artefato no chão, entregando-o para uma segunda pessoa, que o teria acendido.

O cinegrafista cobria uma manifestação na Central do Brasil contra o aumento da passagem de ônibus de R$ 2,75 para R$ 3, que começou a vigorar no sábado no Rio de Janeiro, e acabou ferido por uma bomba identificada pela polícia como sendo do tipo rojão de vara. Ele permanece em coma induzido no Hospital Municipal Souza Aguiar, em estado grave.

A polícia não acredita na versão do depoimento do tatuador Fábio Raposo, que foi visto nas imagens divulgadas pela TV Brasil dando um explosivo ao autor do disparo que atingiu o cinegrafista da Bandeirantes Santiago Andrade.

O delegado Maurício Luciano, titular da 17ª Delegacia de Polícia e responsável pelas investigações, disse que Fábio já foi indiciado por tentativa de homicídio qualificado e crime de explosão e que a pena pode chegar a 35 anos de reclusão caso o cinegrafista, que está em coma, não resista aos ferimentos. "O depoimento dele é inverossímel. Ele estava nervoso, gaguejando muito e está claro que foi uma versão montada pelo advogado para eximi-lo de culpa", afirmou, com base nas informações dadas pelo delegado da Barra.

<p>Cinegrafista da Band ficou ferido depois que uma bomba estourou ao lado dele</p>
Cinegrafista da Band ficou ferido depois que uma bomba estourou ao lado dele
Foto: Daniel Ramalho / Terra

Mauricio Luciano afirmou que o medo de ser reconhecido foi fundamental para ele ter se apresentado. "Ele é tatuado e ficou com medo de ser reconhecido e decidiu contar essa história." Nas imagens da TV Brasil pode-se ver Fábio caminhando durante algum tempo ao lado do homem que acendeu e colocou no chão o explosivo que atingiu Santiago. "Ainda não podemos afirmar se, quando o homem colocou o rojão no chão, ele já estivesse aceso" disse, já que existe a possibilidade de que Fábio tenha ajudado o autor do crime a acender o artefato.

Fábio Raposo negou ser adepto da tática Black Bloc e disse que recebeu convite para a manifestação através da internet. "Ele já foi detido duas vezes em outras manifestações. No dia 7 de Setembro e no dia 22 de novembro", confirmou Mauricio Luciano, afirmando que o jovem está sempre envolvido em manifestações populares e quase sempre com perfil violento. Fábio prestou depoimento na madrugada deste sábado na Barra da Tijuca e se dispôs a colaborar. O delegado não entendeu porque, sendo morador do Méier, ele foi depor na Barra. "Certamente foi uma estratégia do advogado," disse o delegado.

O tatuador apagou seu perfil no Facebook, mas o delegado da 17ª já acionou a Delegacia de Repressão a Crimes de Informática para tentar recuperar o perfil do jovem e tentar rastrear suas atividades e conversar para tentar identificar o autor do crime. "O depoimento do fotógrafo do (jornal) O Globo, que presenciou mais de perto o momento, também vai ser fundamental para tentarmos identificar o autor do crime," disse o delegado, que está analisando uma série de imagens em busca de um momento anterior à explosão do artefato para tentar uma imagem do autor do crime sem máscara.

 

Fonte: Terra
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