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SSP: pessoas dadas como desaparecidas por ONGs são achadas

27 jan 2012
17h47
atualizado às 20h16

A Secretaria de Segurança Pública de São Paulo (SSP-SP) informou nesta sexta-feira que as cinco pessoas que estariam desaparecidas após a reintegração de posse no bairro Pinheirinho, em São José dos Campos, no interior do Estado, foram localizadas. Os nomes foram divulgados na quinta-feira pelas organizações não governamentais (ONGs) Rede de Comunidades e Movimentos contra a Violência e Justiça Global.

Segundo as entidades, Matheus da Silva, 8 anos, teria entrado em estado de choque durante a reintegração e foi supostamente levado por policiais para atendimento médico. Após isso, a família não teria recebido notícias da criança. Conforme a SSP, porém, Matheus foi internado para cirurgia de apendicite no Hospital Municipal na quinta-feira e permanece internado, acompanhado de sua mãe.

Outro desaparecido seria Pedro Ivo Teles dos Santos, 75 anos, que teria sido espancado pela PM e levado para um posto de saúde. Segundo a ex-mulher do idoso, não haveria informações sobre ele após o incidente. A SSP informou, porém, que Santos está bem de saúde e "já deu até entrevistas depois da desocupação".

Outras três pessoas, de uma mesma família, foram dadas como desaparecidas pelas ONGs, a partir de informações do advogado do trio. A secretaria, no entanto, afirmou que Gilmara Costa do Espírito Santo, seu marido, Roberto, e o filho, Lucas, estão abrigados desde domingo em uma casa em frente ao Piratininga de Satélite.

O Sindicato dos Metalúrgicos de São José dos Campos, que divulgou os nomes dos supostos desaparecidos, informou nesta sexta-feira ao Terra que representantes das duas entidades percorreram os abrigos e receberam de famílias relatos de pessoas que não haviam sido localizadas após a reintegração. O sindicato conseguiu, neste noite, contato com Gilmara e sua família, e ainda tentava falar com Matheus e Pedro Ivo.

Segundo Aristeu Pinto Neto, representante da Comissão de Direitos Humanos da OAB em São José dos Campos, seria surpreendente se não houvesse problemas de comunicação entre as famílias após a reintegração de posse, uma vez que nem todas foram levadas ao mesmo abrigo. "Desde o começo divulgamos (os nomes dos supostos desaparecidos) como forma de expandir a procura", disse, acrescentando estar feliz pela localização da família. Conforme ele, os desabrigados estão "amontoados em depósitos", situação que foi acompanhada hoje pelo ouvidor da Secretaria Nacional de Direitos Humanos.

A desocupação do Pinheirinho
A Polícia Militar cumpriu mandado de desocupação do Pinheirinho no domingo, desabrigando cerca de 6 mil pessoas no terreno que pertenceria à massa falida da empresa Selecta, do grupo do empresário Naji Nahas. Um efetivo de 2 mil militares atuou na região, utilizando munição não-letal e bombas de gás lacrimogêneo, alegadamente após resistência dos moradores, que denunciam ter havido mortes, o que tanto a prefeitura como a PM negam. Oficialmente, apenas uma pessoa ficou ferida com gravidade e foi encaminhada ao hospital municipal.

No dia 20, o Tribunal Regional Federal (TRF) suspendeu a ordem de reintegração de posse do terreno, mas a Justiça estadual determinou a continuidade da ação. Na terça-feira, o governador Geraldo Alckmin anunciou que o Estado proverá um aluguel social de até R$ 500 às famílias desalojadas na desocupação do terreno. Segundo o tucano, o valor será repassado à prefeitura, e os beneficiados receberão o auxílio até que fiquem prontas suas unidades habitacionais em programas de governo. A Comissão de Direitos Humanos da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) de São José dos Campos investiga as denúncias de mortes no Pinheirinho durante atuação da PM e da Guarda Municipal.

Fonte: Terra

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