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SP: protesto contra tarifa de ônibus leva 6 mil às ruas de Bauru

21 jun 2013
02h29
atualizado às 15h29
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A segunda manifestação em busca da redução da tarifa do transporte coletivo em Bauru, no interior de São Paulo, reuniu uma multidão de jovens que, com cartazes, faixas e máscaras, caminharam por cerca de 10 km pelas principais ruas e avenidas da cidade. 

<p>Cartazes reivindicavam diferentes causas</p>
Cartazes reivindicavam diferentes causas
Foto: Talita Zaparolli / Especial para Terra

Temendo ações violentas e furtos, comerciantes do calçadão da Rua Batista de Carvalho, principal corredor comercial da cidade, fecharam as portas das lojas meia hora antes do horário previsto para o início do protesto. O grupo se concentrou na praça Rui Barbosa, marco zero da cidade, e seguiu em passeata pela avenida Rodrigues Alves em direção à Avenida Nações Unidas.

No cruzamento das duas avenidas os manifestantes sentaram no chão e cantaram o hino nacional. O trânsito foi desviado para as avenidas paralelas, já que se tratava do horário de rush. 
De lá o grupo seguiu pela Avenida Duque de Caxias, Rrua Antônio Alves até a Avenida Getúlio Vargas que ficou tomada. Cerca de seis mil pessoas - segundo cálculo da Polícia Militar, dez mil – de acordo com os organizadores, estavam no local. Equipados com carro de som, durante todo o trajeto os líderes do movimento comandaram gritos de guerra. 

De acordo com o capitão da PM Alan Terra, cerca de 100 policiais militares acompanharam o trajeto para garantir a segurança dos manifestantes. Um homem foi detido pela PM por soltar explosivos do tipo bombinha e encaminhado à Central de Polícia Judiciária. 

“O passe livre para os estudantes também é, a longo prazo, um investimento na educação já que muitos jovens desistem de estudar porque não têm condições de pagar o transporte”, avalia a pedagoga e manifestante Vanessa Ferreira Geraldo, 32 anos.

Entre os participantes as reivindicações eram diversas. Entre as principais está a redução da tarifa do transporte público na cidade, a não aprovação da PEC 37, além de críticas contra o descaso da educação e da saúde. 

Em meio à multidão o casal de namorados Bruno Calzavara, 26, e Marina Delazari, 27, faziam um protesto solitário contra o ato médico. “Se a presidente Dilma aprovar vai restringir o nosso trabalho, dificilmente os médicos encaminham os pacientes para outros profissionais da saúde”, justifica ela que é psicóloga, ao lado do namorado que é dentista. 

Já o estudante de relações públicas de uma universidade particular de Bauru Matheus Scriptore, 19 anos, tinha a missão de registrar todo o protesto para o trabalho de conclusão de curso sobre corrupção. “Se os jovens não mudarem o país agora, não mudam nunca mais”, avaliou.

<p>Manifestantes caminharam cerca de 10 quil&ocirc;metros pelas ruas da cidade</p>
Manifestantes caminharam cerca de 10 quilômetros pelas ruas da cidade
Foto: André Timex / vc repórter

Cobertos com bandeiras do Brasil, o casal Maria do Carmo Palhaci e Antônio Lopes Palhaci também participou do manifesto na companhia da filha Talitha Plácido Palhaci. “Para o movimento não perder a força, precisa realmente fazer uma revolução”, avalia Antônio. “A saúde está uma vergonha. Pagamos altos impostos e não vemos resultados”, completa Maria do Carmo. 

Inicialmente previsto para terminar em frente à prefeitura, o trajeto foi alterado depois que os manifestantes receberam a informação de que o prefeito Rodrigo Agostinho (PMDB) não estaria no local. Por medida de segurança, todos os servidores municipais foram liberados de suas funções duas horas antes do início do protesto, segundo a assessoria da prefeitura. Mesmo assim, utilizando cordas, inúmeros policiais militares formaram um cordão de isolamento em torno do prédio do Executivo que tem as paredes de vidro. 

Por telefone o prefeito informou ao Terra que não estava na prefeitura por orientação da PM. “Em inúmeras cidades tem havido depredação e por questões de segurança segui a recomendação da Polícia Militar. Mas deixei uma equipe de prontidão para receber os manifestantes”, disse. 

Por volta das 22h os manifestantes retornaram pela Avenida Nações Unidas, para a Praça Rui Barbosa, ponto de início do protesto. No local os integrantes do movimento agendaram uma assembleia, para o próximo sábado, às 18h, também na praça central, para avaliar as próximas ações.

“O protesto foi muito salutar para a cidade. Espero que o prefeito tenha visto, pois isso vai se tornar frequente”, diz o advogado Thyago Cezar, da liderança do movimento. 

Colaborou com esta notícia o internauta André Timex, de Bauru (SP), que participou do vc repórter, canal de jornalismo participativo do Terra. Se você também quiser mandar fotos, textos ou vídeos, clique aqui.

Fonte: Especial para Terra

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