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SP: PMs podiam abordar publicitário sem atirar, diz secretário

20 jul 2012
14h45
atualizado às 15h02

Dassler Marques
Direto de São Paulo

O secretário da Segurança Pública de São Paulo, Antônio Ferreira Pinto, afirmou nesta sexta-feira que os policiais responsáveis pela abordagem que acabou com a morte do publicitário Ricardo Prudente de Aquino podiam tinham condições de realizar a ação sem efetuar qualquer disparo. "Eles erraram totalmente quando atiraram. Tinham mais condições de abordar o rapaz ao sair do veículo. Não é o simples fato de desobedecer a uma blitz que o indivíduo merece ser recebido a tiros", afirmou ele.

O pronunciamento se deu durante a cerimônia de formatura de 920 soldados de 2ª classe da Polícia Militar, que também contou com a presença do governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB). Na ocasião, Pinto comentou a declaração do comandante interino da PM, Hudson Camilli, que disse que o caso foi uma "ação legalmente inadequada".

"A afirmação dele é correta quando diz que a ação foi tecnicamente perfeita. Não houve perseguição, o veículo dirigido pelo rapaz teria encostado na viatura da PM. O que foi equivocado foi os policiais dispararem. Tem tiro defensivo, eles têm instrução a ser observada, havia desproporção numérica tão grande que seria abordagem tranquila sem necessidade de disparar. A perseguição foi correta, foi isso que o comandante quis dizer, mas deveriam ter mais cautela e não deveriam ter atirado."

O secretário ainda disse que o comandante "não compactua com irregularidades". "Atirar faz parte em outras condições. Atirar é exceção. A regra é uma abordagem mais segura. Era só uma pessoa no veículo, quatro viaturas e duas motos. Não toleramos abuso, violência e corrupção", disse Pinto.

Na cerimônia, Alckmin disse que a "tolerância a qualquer abuso ou erro é zero", e que os policiais não ficarão impunes. "Por isso criamos a chamada via-rápida, modificamos a lei orgânica e o regime disciplinar para não permitir qualquer intolerância ou impunidade."

"A polícia é cumpridora da lei. São Paulo é terra da legalidade. Então, para que não haja dúvida, todo confronto de criminosos com a polícia é hoje investigado pelo DHPP. Temos uma corregedoria bastante preparada e ação rápida", continuou o governador.

Aquino, que tinha 39 anos, foi assassinado depois de uma tentativa de abordagem da polícia. Segundo a versão dos militares, o publicitário fugiu de uma blitz, iniciando uma perseguição. De acordo com o relato dos agentes, os disparos foram efetuados após eles visualizarem um objeto preto na mão da vítima, o que teriam achado ser uma arma. Ele chegou a ser socorrido para o Hospital das Clínicas, mas não resistiu aos ferimentos.

 O carro do publicitário de 39 anos apresentou diversas marcas dos tiros
O carro do publicitário de 39 anos apresentou diversas marcas dos tiros
Foto: Mauricio Camargo / Futura Press
Fonte: Terra
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