Polícia

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12 de setembro de 2012 • 08h03 • atualizado às 11h31

SP: PM avalia como legítima ação da Rota que terminou em 9 mortes

Os policiais chegaram ao local após receberem uma denúncia anônima
Foto: Mario Angelo / Futura Press

O Comando da Polícia Militar avaliou como legítima a ação das Rondas Ostensivas Tobias de Aguiar (Rota) que terminou com nove mortes de criminosos em Várzea Paulista, na Grande São Paulo. De acordo com o Comandante Geral da Corporação, coronel Roberval Ferreira França, os criminosos estavam preparados para matar policiais. "Todos os indicativos atestam uma ação legítima. Nós contabilizamos, nos três locais de confronto, prisões de criminosos ilesos e isso indica uma ação legítima. Temos um arsenal de grosso calibre (em poder dos criminosos), com metralhadoras, pistolas automáticas, granadas e explosivos. Isso indica a disposição da quadrilha para o confronto", disse.

A ação teve início no meio da tarde desta terça-feira, após uma denúncia anônima que alertava para a ocorrência de um "tribunal do crime" promovido por criminosos, que iriam julgar um suposto estuprador da região. Dez equipes da Rota, com 40 policiais, partiram para a cidade para tentar localizar a chácara ocupada pela quadrilha. De acordo com a PM, os policiais encontraram o local por volta das 16h30.

"Por volta das 16h30, algumas equipes da Rota localizaram essa chácara no momento em que sete criminosos estavam saindo. Eles ocuparam dois veículos e, em fuga, tomaram direções diferentes", disse o coronel.

De acordo com os policiais, as equipes também se dividiram e, no primeiro confronto, uma pessoa foi presa e duas foram mortas. Na segunda perseguição, a Rota entrou em confronto novamente e, dos quatro ocupantes dos veículos, dois foram presos e dois morreram.

Ao mesmo tempo, outras equipes da tropa de elite da polícia entraram na chácara onde estaria ocorrendo o julgamento. "Nessa incursão, a equipe se deparou com nove criminosos, restando quatro mortos e cinco presos ilesos. Tivemos um quinto morto na chácara, que era o estuprador, que foi alvo do tribunal do crime", falou Roberval.

Ainda de acordo com a polícia, estavam na chácara uma menina de 12 anos, que seria a suposta vítima do estuprador, o irmão dela e a mãe.

Tribunal do crime
Segundo o Comando da PM, o "tribunal" montado pelos criminosos foi solicitado pelo irmão da suposta vítima de estupro. O coronel não soube informar a idade do rapaz, que acompanhou, ao lado da família, o julgamento do suposto criminoso. "Essa menina assistiu ao tribunal do crime, até o momento em que o tribunal declarou a morte do estuprador. Houve orientação dos criminosos para que essa família saísse no momento da execução", falou o comandante da PM.

Apesar das declarações dos sobreviventes, não há confirmação sobre a autoria da morte do homem identificado como estuprador. Segundo a polícia, a provável execução teria acontecido quase ao mesmo tempo da troca de tiros.

Ao ser questionado se a participação da polícia local, ao invés do deslocamento da Rota, não teria preservado a vida do homem executado, o coronel informou que esse tipo de ação é de responsabilidade das tropas de elite. "Vamos lembrar que a Rota é uma tropa de elite da Polícia Militar e ela é treinada para enfrentar os criminosos mais violentos. Se a ocorrência tivesse chegado ao policiamento territorial, naturalmente essa denúncia seria escalada para uma tropa de elite da polícia", falou.

Ainda de acordo com a PM, a chácara usada pelos criminosos é de um candidato a vereador local e teria sido alugada por um período curto de tempo. O dono do imóvel será chamado para prestar depoimento.

Armas e explosivos
Nessa ação, foram apreendidos cinco veículos, uma metralhadora, duas espingardas calibre 12, sete pistolas, quatro revólveres, uma granada, explosivos (dinamite e outros), 20 kg de maconha e um colete à prova de balas.

O Grupo de Ações Táticas Especiais (Gate) foi chamado para realizar a coleta do material. Até o início da madrugada, seis criminosos já haviam sido identificados pela polícia, que destacou a longa ficha criminal de todos eles.

A ocorrência foi apresentada na Delegacia de Investigação Geral de Jundiaí (DIG), acompanhada pelo Deinter II. Os procedimentos de Polícia Judiciária Militar também serão devidamente instaurados. Agora, segundo a PM, será investigada a participação dos detidos e mortos em outros crimes da região metropolitana.

Represálias
Perguntado se a PM temia uma intensificação nos ataques a policiais militares após esse alto número de criminosos mortos, Roberval Ferreira França afirmou que a tropa está preparada para eventuais confrontos. "Nove mortos é o número que nós temos, para uma quadrilha que tinha 16 integrantes. Temos nove mortos, oito presos vivos e ilesos. Lembramos que a opção pelo confronto é dos criminosos. A polícia tem a diretriz de preservar vidas. Primeiramente a vida da vítima, em segundo lugar dos policias, em terceiro lugar, se possível, a vida dos criminosos", falou.

Na operação, nenhum policial ficou ferido e não há informações sobre viaturas danificadas.

Terra