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SP: família de PMs é enterrada sob comoção e indignação

Casal de PMs, filho e avó da criança foram sepultados em Rio Claro, no interior de São Paulo; família desacredita de versão policial que aponta garoto como autor dos disparos

6 ago 2013
19h47
atualizado em 7/8/2013 às 12h55
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Os policiais militares Luís Marcelo Pesseghini, 40 anos, Andréia Regina Bovo Pesseghini, 35 anos, o filho do casal, Marcelo Eduardo Pesseghini, 13 anos, e a mãe de Andréia, Benedita Oliveira Bovo, 65 anos, foram enterrados nesta terça-feira, em Rio Claro, no interior de São Paulo. Todos morreram a tiros entre a noite de domingo e o início da tarde de segunda-feira, em casa, na zona norte da capital paulista. Bernardete Oliveira da Silva, 55 anos, tia-avó do garoto, também assassinada, foi enterrada na capital paulista, também nesta tarde. Investigações preliminares da Polícia Civil apontam indícios de que o garoto matou os quatro e, em seguida, se suicidou.

Casal de PMs, filho e avó foram enterrados em Rio Claro, no interior de São Paulo
Casal de PMs, filho e avó foram enterrados em Rio Claro, no interior de São Paulo
Foto: Bruno Santos / Terra

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O enterro dos quatro, no cemitério Parque das Palmeiras, em Rio Claro, foi reservado apenas aos familiares. Ao fim da cerimônia, vários colegas de profissão dos policiais deixaram o cemitério consternados, e familiares afirmavam não acreditar na versão da polícia de que o garoto teria disparado contra as quatro vítimas e se suicidado.

"Ele (Luiz Marcelo) era um cara com 20 anos de polícia. Não ia deixar ser atingido pela criança", disse o sargento Fábio Pesseguini, irmão de Luiz Marcelo. Para o tio do policial, José Uliana, a versão da polícia é inverossímil. "Não dá para acreditar que um garoto de 13 anos tenha feito isso tudo sozinho. Mas a vida continua. Ficam as lembranças. O Luiz era uma ótima pessoa. É tudo triste demais. Só choro", disse ele, se referindo ao sepultamento da família.

Santa Maria Juliana, cunhada de Andréia, afirmou que a versão policial é "conversa". "Não dá para acreditar nisso. Vi pela televisão que estavam culpando o garoto", afirmou. Entre os policiais da Rota presentes, a versão da polícia, que indica a ação do garoto, era mais aceita. "Infelizmente, trata-se de uma tragédia familiar", disse um dos comandantes da tropa, que preferiu não se identificar.

Ele queixou-se das primeiras notícias divulgadas, ainda na noite de ontem, sobre uma possível execução. "Falou-se muito sem saber o que havia acontecido. Isso é muito perigoso. Tivemos de alertar toda a tropa para evitarmos um transtorno ainda maior", disse ele, para quem o sentimento da tropa era de "vingança".

Ainda em São Paulo, Sebastião Oliveira Costa, tio de Andréa e que perdeu duas irmãs no episódio, disse que entrou na cena do crime e que não acredita que o garoto tenha agido sozinho. "O Marcelo era uma criança sossegada. As vítimas foram todas mortas com tiros na cabeça, na mesma posição", disse ele.

Também na capital paulista, o adolescente C. R., 14 anos, colega de classe de Marcelo, disse que viu o garoto na escola e que ele estava um pouco diferente. "Ele foi para a escola , mas estava muito estranho. Um pouco triste, diferente dos outros dias. Ele era brincalhão, gostava de conversar, de falar besteira, como todos os outros." Segundo ele, por ser filho de policiais, Marcelo falava muito sobre polícia. "Ele nunca foi violento. Estamos todos chocados com o que aconteceu", disse o jovem.

Chacina de família desafia polícia em São Paulo
Cinco pessoas da mesma família foram encontradas mortas na noite de segunda-feira, dia 5 de agosto, dentro da casa onde moravam, na Brasilândia, zona norte de São Paulo. Entre os mortos, estavam dois policiais militares - o sargento Luis Marcelo Pesseghini, 40 anos, e a mulher dele, a cabo de Andreia Regina Bovo Pesseghini, 35 anos. O filho do casal, Marcelo Eduardo Bovo Pesseghini, 13 anos, também foi encontrado morto, assim como a mãe de Andreia, Benedita Oliveira Bovo, 65 anos, e a irmã de Benedita, Bernardete Oliveira da Silva, 55 anos.

Garoto teria contado a amigo desejo de matar os paisClique no link para iniciar o vídeo
Garoto teria contado a amigo desejo de matar os pais

A investigação descartou que o crime tenha sido um ataque de criminosos aos dois PMs e passou a considerar a hipótese de uma tragédia familiar: o garoto teria atirado nos pais, na avó e na tia-avó e cometido suicídio. A teoria foi reforçada pelas imagens das câmeras de segurança da escola onde Marcelo estudava: o adolescente teria matado a família entre a noite de domingo e as primeiras horas de segunda-feira, ido até a escola com o carro da mãe, passado a noite no veículo, assistido à aula na manhã de segunda e se matado ao retornar para casa.

Os vídeos gravados pelas câmeras mostraram o carro de Andreia sendo estacionado em frente ao colégio por volta da 1h15 da madrugada de segunda-feira. Porém, a pessoa que estava dentro do veículo só desembarcou às 6h30 da manhã. O indivíduo usava uma mochila e tinha altura compatível à do menino: ele saiu do carro e caminhou em direção à escola.

Fonte: Terra
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