Polícia

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16 de junho de 2011 • 10h28 • atualizado às 11h35

Sob protesto, PM derruba portões do tráfico em Parada de Lucas

PM derruba muro construído por traficantes em Parada de Lucas, no Rio
Foto: Alessandro Costa / O Dia

Cerca de 20 policiais do 16º Batalhão da Polícia Militar (Olaria) derrubaram, na tarde de quarta-feira, os portões instalados por traficantes de drogas na favela de Parada de Lucas. Moradores denunciaram que os obstáculos cerceavam a liberdade de entrar e sair da comunidade. Os PMs utilizaram marretas para destruir as grades, que serviam de barricadas para ajudar na fuga dos bandidos em eventuais ações da polícia.

Assim que a polícia entrou na favela, alguns moradores iniciaram um pequeno protesto. Pouco mais de 20 pessoas, a maioria crianças, ensaiaram gritos de "ão, ão, ão, queremos o portão". Para a PM, tudo fazia parte de uma pressão do tráfico sobre a população.

O presidente da Associação de Moradores de Parada de Lucas, Rosário Santa Lúcia, se apresentou aos policiais e foi levado para a 38ª DP (Brás de Pina), onde prestou depoimento. Ele explicou que os portões não têm como única finalidade servirem de barricadas do tráfico. "Ele evita que crianças corram para a rua, ali para o meio da Avenida Brasil. Colhemos 143 assinaturas de pessoas que querem o portão, mas não conseguimos legalizar na prefeitura, porque eles alegam que aquelas ruas não existem", reclamou.

O líder comunitário nega que R$ 10 fossem cobrados pela cópia de cada chave, como denunciaram alguns moradores. "Cada um fazia sua cópia", disse.

Não houve resistência dos criminosos à PM, que empregou um veículo blindado para entrar no local. Seis suspeitos foram detidos com armas e drogas em vários pontos da favela. Em menos de duas horas, os policiais puseram abaixo quatro portões - três exclusivamente para pedestres e outro com passagem para veículos - que ficavam às margens da Avenida Brasil, a pouco menos de 300 m de um posto do Batalhão de Policiamento Rodoviário (BPRv).

Do outro lado da favela, no acesso pela Avenida Bulhões Marcial, na subida da chamada passarela branca (usada por pedestres), que desemboca dentro de Parada de Lucas, um portão azul de quase três metros de altura e com duas correntes de ferro também foi destruído.

"Temos feito uma repressão diária ali e vamos continuar. Parada de Lucas e Vigário Geral são prioridades do Batalhão. Derrubamos esses portões, que foram colocados de forma irregular, já que não havia autorização da prefeitura. Já oficiamos o BPRv para contar com o apoio deles, para avisarem sempre que alguém voltar a colocar portão ali. Se colocarem, vamos derrubar de novo", avisou o comandante do 16º BPM.

PMs escalam grade em acesso a passarela
Ao entrarem em Parada de Lucas pela passarela branca da Avenida Bulhões Marcial, PMs foram surpreendidos com a grade de três metros de altura e tiveram que pulá-la.

Em apenas dois minutos, sete moradores que tentaram entrar por ali também deram de cara no portão. "Tem polícia aí dentro, é? Então foi por isso que trancaram", questionava um jovem que chegava do trabalho, sendo obrigado a andar mais cerca de 400 m até a passarela de acesso do trem, que sai dentro de Vigário Geral. Uma mulher preferiu pular também. "É o jeito, né? A gente acaba acostumando", disse, resignada.

Além de derrubar os portões, o Serviço Reservado (P2) do 16º BPM juntou informações e levou fotos de traficantes para tentar capturar os bandidos que se exibem armados. O principal alvo era o atual chefe do tráfico da favela, Ronaldo Rocha Dias da Silva, o Tião. Apesar de a maioria ter conseguido escapar, seis suspeitos foram capturados, quatro maiores e dois menores.

Do material apreendido, o que mais chamou a atenção dos policiais militares foram duas câmeras de monitoramento. Tanto em Parada de Lucas quanto em Vigário Geral, os bandidos costumam monitorar cada viela por uma central de câmeras. Foram recolhidos, ainda, um fuzil calibre 30 com luneta, uma escopeta calibre 12, 15 galões de cheirinho da loló, três caixas de remédio, nove carregadores de fuzil (cinco de metralhadora e um de pistola), cinco radiotransmissores e uma balança de precisão.

O Dia