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Segundo julgamento do caso Evandro é retomado no PR

28 mai 2011
11h07
atualizado às 13h10
Joyce Carvalho
Direto de Curitiba

O segundo dia de julgamento de Beatriz Abagge, acusada de encomendar a morte do menino Evandro Ramos Caetano, em 1992, recomeçou na manhã deste sábado no Tribunal de Júri de Curitiba (PR). O dia teve início com os debates entre acusação e defesa. Durante a exibição de vídeos da defesa, Beatriz chorou e foi amparada por sua advogada.

Beatriz Celina Abagge chora durante exibição de vídeos em que diz ter confessado o crime sob tortura
Beatriz Celina Abagge chora durante exibição de vídeos em que diz ter confessado o crime sob tortura
Foto: Joyce Carvalho / Especial para Terra

Em um primeiro momento, a Promotoria fez a sustentação de acusação. Os promotores relembraram os depoimentos das testemunhas de sexta-feira e citaram constantemente as informações repassadas pela odontolegista Beatriz França, que disse ter 99% de certeza que o corpo encontrado no matagal cinco dias após o desaparecimento da criança era mesmo o de Evandro, que na época tinha 6 anos. Ela fez a afirmação com base em uma restauração encontrada na arcada dentária da vítima.

Depois da Promotoria, teve início a sustentação da defesa, que tem uma hora e meia para convencer os jurados sobre a inocência de Beatriz Abagge. Durante a exibição de vídeos em que Beatriz afirmava que teria confessado o crime sob tortura, a ré se emocionou e foi às lágrimas.

Após a apresentação da defesa, haverá uma hora para réplica da acusação e outra hora para tréplica da defesa. Estima-se que a veredito seja anunciado no final da tarde de hoje pelo juiz Daniel Avelar.

Beatriz Abagge, 47 anos, é acusada sequestro, cárcere privado e homicídio triplamente qualificado. Segundo o Ministério Público, juntamente com a sua mãe, ela encomendou o sequestro do garoto, que teria sido utilizado em um ritual de magia negra na cidade de Guaratuba, no litoral do Paraná. O corpo foi encontrado cinco dias depois em um matagal sem as mãos e os dedos dos pés, além das vísceras para fora e com o coro cabeludo arrancado.

A mãe de Beatriz, Celina Abagge, também foi acusada do crime. As duas foram absolvidas no primeiro julgamento do caso, realizado em 1998. Na época, o júri durou 34 dias. O Ministério Público recorreu da decisão e o julgamento foi anulado.

Desde então, o segundo julgamento tem sido adiado por mudanças de advogados da defesa e validação de provas. Celina Abagge não voltou ao banco dos réus porque tem mais de 70 anos. As duas ficaram três anos e nove meses presas, e depois ficaram em prisão domiciliar por 3 anos antes do primeiro julgamento.

Outras cinco pessoas foram julgadas pelo crime. O pai de santo Osvaldo Marcineiro, o pintor Vicente Paulo Ferreira e o artesão Davi dos Santos Soares foram condenados em 2004. Já Francisco Sérgio Cristofolini e Airton Bardelli dos Santos foram absolvidos em 2005.

Ontem, no primeiro dia de julgamento, foram ouvidas quatro testemunhas de defesa e três de acusação. Por último, Beatriz Abagge deu seu depoimento por cerca de uma hora, mas a portas fechadas. A defesa pediu para que o depoimento acontecesse sem a presença do plenário, o que foi deferido pelo juiz Daniel Avelar. A acusação também alega que Beatriz Abagge confessou o crime na época, mas a ré sustenta que isto ocorreu porque ela e sua mãe sofreram sessões de tortura.

Fonte: Especial para Terra

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