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RS: briga entre neonazistas, skinheads e punks deixa ferido grave

6 ago 2011
12h26
atualizado em 9/8/2011 às 15h04

Uma briga de bar envolvendo neonazistas, punks e skinheads terminou com ao menos oito feridos em Porto Alegre (RS). A confusão começou por volta das 7h deste sábado no Terraço Garibaldi, localizado na avenida Venâncio Aires, bairro Cidade Baixa. Conforme o delegado Paulo César Jardim, um dos feridos é negro e não tinha relação com a briga. Ele foi esfaqueado na barriga e encaminhado em estado grave para o Hospital de Pronto Socorro (HPS) da capital gaúcha.

Um dos envolvidos na briga, que foi atingido com cadeiradas e garrafadas, prestou depoimento à polícia e afirmou que a briga não foi ideológica
Um dos envolvidos na briga, que foi atingido com cadeiradas e garrafadas, prestou depoimento à polícia e afirmou que a briga não foi ideológica
Foto: Mauricio Tonetto / Terra

"Ele estava no lugar errado, na hora errada. Sabemos que esses grupos odeiam negros, homossexuais e judeus", relatou o delegado, que não descartou que o ataque tenha sido por discriminação. A confusão começou depois que uma adolescente punk foi provocada por um skinhead no interior do bar. Os grupos começaram a discutir e partiram para a agressão com pedras, garrafas, cadeiras e facas.

"Eu levei cadeirada na cabeça, o dono do bar chamou a polícia e acabei preso. Era cadeira voando e garrafas quebrando. Foi violento?", ironizou um dos envolvidos, que não quis se identificar. "Fui comprar mais cerveja e fiquei olhando eles jogando sinuca. Quando eu vi, começou a confusão. Eu fiquei recuado e acabei apanhando, não lembro de mais nada", contou Adalberto Oliveira, um dos clientes do estabelecimento.

Para o delegado Paulo Jardim, que investiga a atuação desses grupos no Rio Grande do Sul há dez anos, a briga não foi ideológica, mas uma investigação detalhada será feita a partir da semana que vem. "Eles frequentam os mesmos lugares e convivem até certo ponto, mas se odeiam. Eu conheço alguns deles, conheço seus históricos", ressaltou.

Prestaram depoimento à polícia gaúcha três punks, dois skinheads e um neonazista. Os demais envolvidos na pancadaria estavam recebendo atendimento no HPS e devem depôr ainda neste sábado. As armas foram recolhidas e todos farão exames no Instituto Médico Legal (IML).

Histórico de agressões e apologia


Em 2010, um grupo de defesa dos direitos dos travestis no Rio Grande do Sul recebeu ameaças por telefone de um suposto neonazista, que disse preparar uma ação na 14ª Parada Livre. Em edição anterior do evento, cartazes que pregavam a morte de homossexuais foram afixados no bairro Bom Fim, onde ocorre a passeata.

Em novembro do mesmo ano, policiais civis apreenderam material de apologia ao nazismo em uma residência no centro de Porto Alegre. Foram recolhidos fotografias, CDs, camisetas, distintivos, facas, uma soqueira e um laptop, mas ninguém foi preso. Em 2009, apreensões semelhantes ocorreram em Cachoeirinha, Viamão, Porto Alegre e duas cidades da serra gaúcha.

Na ocasião, o delegado Paulo César Jardim disse que um grupo se preparava para realizar ataques a sinagogas e homossexuais. Ele disse que todos os integrantes foram identificados. O movimento dos neonazistas no Brasil tem como fundamento a segregação e discriminação de raças tidas por eles como inferiores.

Fonte: Terra
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