atualizado às 18h53

RS: advogado diz que merendeira foi coagida a confessar

Leandro Pereira, representante legal da merendeira acusada de envenenamento diz que sua cliente foi coagia pela polícia a confessar Foto: Daniel Favero / Terra
Leandro Pereira, representante legal da merendeira acusada de envenenamento diz que sua cliente foi coagia pela polícia a confessar
Foto: Daniel Favero / Terra
 

Daniel Favero
Direto de Porto Alegre

O advogado da merendeira suspeita de envenenar alunos de uma escola estadual de Porto Alegre, Leandro Pereira, pediu, nesta segunda-feira, o afastamento do delegado Cleber Lima, responsável pelo caso, sob alegação de fraude e coação no depoimento no qual Wanuzi Mendes Machado, 23 anos, teria confessado o crime. Ele disse que a acusada não vai se entregar por medo de ameaças de detentas do presídio Feminino Madre Tereza Pelletier.

"O inquérito foi manipulado, e ela (Wanuzi) permanece afirmando que, em momento algum, confessou qualquer coisa para essa autoridade policial que é o doutor Cleber Lima", disse na sede do Palácio da Polícia, onde entregou o pedido de afastamento. "Ele (o delegado) lançou essa moça contra toda a sociedade brasileira e induziu o julgador plantonista do Fórum Central em erro, e por isso foi ele aceitou o pedido de prisão", completou.

Segundo o defensor, o depoimento foi induzido pelo delegado, e acusou o policial de entregar à Justiça o depoimento sem a assinatura da escrivã. Ele disse ainda que Wanuzi não pôde ler as duas páginas finais do depoimento, onde consta a confissão, e que foi coagida a assinar a declaração.

Momentos depois, o advogado recebeu uma cópia do depoimento com a assinatura que ele alegava não constar no depoimento. "Essa era a minha estratégia para comprovar a fraude", disse. Após entregar o documento o delegado disse que o advogado deveria sofrer problemas mentais. "É um pobre coitado".

O advogado disse que existem outros suspeitos que não teriam sido levados em consideração na investigação conduzida pelo delegado Cleber Lima. "No inquérito policial existe referência de que uma outra professora agiu de forma muito suspeita, que inclusive mexeu e fotografou o local, e essa professora queria tomar o lugar da diretora (...) as testemunhas referem que haviam alunos psicopatas na sala ao lado que tinham acesso a cozinha, alunos violentos, que andavam armados e que ameaçavam todos de morte", disse.

Pereira disse que não sabe onde Wanuzi está, mas teme pela sua vida, já que a família da merendeira, que vive no bairro da Restinga, região carente na zona sul de Porto Alegre, recebeu a notícias de que as detentas do presídio estão esperando sua prisão para agredi-la e até matá-la. "Fiquei sabendo, e a família está desesperada por causa disso, que quando ela ingressar no Presídio Central, ela será morta pelas outras detentas."

Terra