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RJ: Rocinha é vigiada por 80 câmeras 24 horas por dia

10 jan 2013
20h09
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Tudo o que acontece na Rocinha é transmitido ao vivo para uma central de monitoramento da PM, instalada na rua 2 da comunidade
Tudo o que acontece na Rocinha é transmitido ao vivo para uma central de monitoramento da PM, instalada na rua 2 da comunidade
Foto: Daniel Ramalho / Terra

 

Noite da última quarta-feira, 20h, esquina da rua 4 com a estrada da Gávea, ponto caótico no trânsito já confuso da maior favela brasileira, a Rocinha, na zona sul do Rio de Janeiro. Um morador desce da moto e se despede da namorada, que continua guiando. Após o beijo, ele se vira e, sem olhar para os lados, atravessa a rua. Outra moto que vinha no sentido contrário tenta o desvio, acerta a vítima distraída e os dois ocupantes vão direto para o asfalto. Em poucos minutos, uma ambulância do Sistema de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) já se dirigia ao local, enquanto que uma patrulha da Polícia Militar fazia a primeira averiguação da ocorrência.
 
A rapidez no socorro das vítimas, que tiveram ferimentos leves, só foi possível porque tudo era transmitido ao vivo para uma central de monitoramento da PM, instalada na rua 2 da comunidade, e que serve de auxílio fundamental para a Unidade de Polícia Pacificadora (UPP), há quatro meses operando definitivamente na favela que conta hoje com aproximadamente 70 mil moradores, de acordo com o último Censo realizado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
 
"Temos câmeras nas regiões mais importantes da comunidade, que foi dividida em setores. Em cada local, haverá quatro policiais de plantão. Caso aconteça alguma ocorrência, a resposta será imediata. Com as câmeras eu passo a ter mais do que os 700 homens que tenho no efetivo da UPP", explicou o comandante da UPP da Rocinha, major Edson Santos. O sistema foi implantado com sua capacidade total de 80 câmeras na última terça-feira.
 
Os pontos de monitoramento, com poder de alcance de até 300 m de distância, alguns com visão 360 graus, foram implantados aos poucos desde a inauguração da UPP, e já ajudaram os policiais no trabalho ostensivo de combate ao tráfico de drogas, ainda presente na comunidade, antes dominada pela quadrilha do traficante Nem, preso em novembro de 2011, poucos dias antes da ocupação da Rocinha por parte das forças de segurança do Estado.
 
"O operador fez o flagra do sujeito praticando o delito, ele automaticamente me aciona, ou quem estiver no comando", afirmou o subcomandante da UPP, tenente Neyfson Borges. "Se o cara acabou de subir na moto, ele já aproxima na placa, passa a numeração, diz que está com blusa vermelha, azul, seja a cor que for, e automaticamente já fazemos os cercos com as viaturas mais próximas, garantindo que essa moto não saia da Rocinha", complementou.
 
O sistema, operado por 20 policiais, que se revezam em turnos de 12 horas na central de comando, ainda permite o sistema de "perseguição ao criminoso". Ou seja, a partir do momento que o suspeito fuja do alcance de um ponto de monitoramento, a câmera mais próxima, automaticamente, já faz a leitura das informações e prossegue o acompanhamento. Posteriormente, a intenção é que o sistema seja capaz de fazer o reconhecimento facial. "São três policiais, já com experiência neste tipo de trabalho em outros departamentos, uma vez que havia a necessidade de rápida implementação do sistema, que ficam de olho o tempo todo nas ocorrências. Cada um cuida, mais ou menos, de 27 câmeras, sendo cada policial fica responsável por uma região da Rocinha. Isso facilita o nosso trabalho de acionamento das equipes", disse o tenente Borges, que na sua tela, via GPS, sabe exatamente onde cada um dos homens sob o seu comando está posicionado.
 
"Aqui está o rádio 0327, está vendo?", apontou para o mapa da Rocinha. "Eu clico aqui, aparece o restante do número dele, e eu já aciono. Está vendo esta outra equipe aqui?", perguntou, mostrando agora uma outra patrulha, mais ao norte. "Eles podem vir na retaguarda e aumentar a segurança da abordagem. Facilita bastante o nosso trabalho, já que estamos habituados com o local, conhecemos mais ou menos as vielas já", reforçou.
 
Armazenamento e reação dos moradores
O moderno sistema de vigília integral da Rocinha é capaz de guardar as imagens dos últimos sete dias em sistema de pronta visualização - basta clicar no arquivo gerado automaticamente na ocorrência para a visualização imediata. O armazenamento contínuo, como forma de backup, pode ser acionado em até um mês no servidor do sistema e com o selo de autenticidade. Ou seja, serve como prova judicial. O sistema implantado na Rocinha é maior se comparado aos que já operam na favela Santa Marta, em Botafogo, também na zona sul carioca, e no Batam, na zona oeste. A ideia é expandir o monitoramento, de acordo com informações da própria central de Unidades de Polícia Pacificadoras, para todas as comunidades que possuem uma UPP.
 
"Moro há sete anos aqui nesta rua e já vi muita coisa acontecer", relatou a moradora Cláudia Soares, há 20 anos na Rocinha. Sua casa fica bem diante de uma das câmeras de monitoramento. "É um pouco estranho botar os pés na rua e saber que alguém está me olhando, mas como aqui tinha muito tráfico antes, não achei ruim. Nós que temos filhos na rua ficamos preocupados, então, se for para aumentar a segurança, tudo bem", salientou. 
 
Outro morador vigiado 24 horas por dia é seu José Gomes. Dono de uma pequena birosca na rua 2, é avisado de que as lentes da segurança pública estão apontadas para o seu estabelecimento. "Sabia que estavam filmando aqui, mas é essa a câmera mesmo? Acho que para eles (policiais) é bom, né", disse. Há 43 anos na Rocinha, seu José também estranha o monitoramento constante, que chama de "um pouco de invasão", mas relembra a premissa básica de quem não tem qualquer envolvimento com a criminalidade: "Quem não deve, não teme. Pode filmar, para mim está tranquilo, não tem problema nenhum".
Fonte: Terra
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