Polícia

publicidade
03 de outubro de 2013 • 13h04 • atualizado às 20h41

RJ: polícia prende 25 por esquema de corrupção na Vigilância Sanitária

Polícia apreendeu dinheiro durante a Operação Parasitas na manhã desta quinta-feira no Rio de Janeiro
Foto: Jadson Marques / Futura Press

A Operação Parasitas prendeu 25 pessoas, entre fiscais da Vigilância Sanitária e empresários, envolvidas em um esquema de corrupção que arrecadava cerca de R$ 50 milhões por ano extorquindo comerciantes de diversas áreas na cidade do Rio de Janeiro. A ação ocorreu na madrugada desta quinta-feira feita pela Polícia Civil e pelo Ministério Público, com apoio da Secretaria de Segurança e da Subsecretaria de Vigilância Sanitária do Município. Ao todo, 30 mandados de prisão foram expedidos pela Justiça.

<a data-cke-saved-href="http://www.terra.com.br/noticias/infograficos/batismo-de-fogo/" data-cke-122-href="http://www.terra.com.br/noticias/infograficos/batismo-de-fogo/">Os nomes “inusitados“das operações policiais</a>

De acordo com a Secretaria de Estado de Segurança do governo fluminense, além dos detidos também foram apreendidas três espingardas, duas calibre 12 e uma calibre 28; além de munição. O material estava na casa do médico veterinário e fiscal da Vigilância Sanitária, Adolfo José Wiechmann.

Além das armas e da munição, a polícia apreendeu também R$1,1 milhão e documentos e computadores. 

O esquema era investigado desde 2010 e os fiscais cobravam de R$ 150 a R$ 500 por mês de cada comerciante para evitar fiscalizações. "Quando um estabelecimento não tinha problemas, eles inventavam", contou o delegado Rodrigo Leão. "Uma empresária gastou milhões na obra de um estabelecimento e o fiscal a multou pela sujeira do filtro do ar-condicionado. Ela ficou livre da fiscalização pagando R$ 400 por mês de propina", explicou.

Apenas na casa de um dos fiscais, Luis Carlos Ferreira de Abreu, em Campo Grande, a polícia apreendeu R$ 800 mil em dinheiro. "Com cheiro de naftaltina e amarrado com barbante, porque elástico com o tempo gruda e rasga a nota", explicou o promotor do Ministério Público Homero Freitas, responsável pela denúncia.

Na casa de outro foram encontrados R$ 120 mil e um contracheque da prefeitura no valor de R$ 2,8 mil, que era seu salário mensal. De acordo com o Homero Freitas, quase todos os envolvidos viviam em residências incompatíveis com seus ganhos. Em geral, eles trabalhavam em duplas e em áreas fixas na cidade.

Rodízio entre fiscais
A Secretaria Municipal de Saúde ainda tentou criar um rodízio entre os fiscais para tentar dificultar o esquema, mas quando um fiscal era removido fazia questão de "apresentar" o novo fiscal aos comerciantes que estavam sendo vítimas. "Os comerciantes eram todos vítimas e seis deles colaboraram e muito nas investigações", explicou Alexandre Capote.

No esquema estavam envolvidas também uma empresa de dedetização e um escritório de arquitetura. No caso da empresa de dedetização, ela era indicada ao empresário após a fiscalização e eram obrigados a fazer o serviço com aquela firma. O mesmo ocorria no caso do escritório de arquitetura, que intermediava obras pedidas pelos fiscais, que acusavam os estabelecimentos de irregularidades.

A polícia ainda procura um homem suspeito de ser um dos líderes da quadrilha, Eduardo de Nigris, funcionário que tinha cargo de confiança na Secretaria Municipal de Saúde e que recebia parte do que era arrecadado nas ruas. De Nigris está em viagem ao exterior e a Polícia Civil já acionou a Polícia Federal e a Interpol (a polícia internacional) para monitorá-lo no retorno ao Brasil.

De acordo com Homero Freitas, do Ministério Público, a operação quebra um paradigma. "Agora os comerciantes podem denunciar os fiscais corruptos e ter a certeza de que estes serão presos", afirmou. Os criminosos vão ser indiciados por crimes de formação de quadrilha, corrupção e concussão (exigir para si dinheiro ou vantagem em razão da função que ocupa) e podem pegar até 12 anos de prisão.

Em nota, a Secretaria Municipal de Saúde do Rio de Janeiro afirmiu que dois dos 27 servidores denunciados pela polícia eram gerentes de integração e serão exonerados dos cargos de chefia. “Por estar preso preventivamente, o grupo já está afastado de suas funções”, disse a pasta. 

Veja abaixo os detidos na operação:

Adolfo José Wiechmann
Alberto David Cohen 
Alfredo Tavares Fernandez 
André Cota Pereira 
Ângelo Coccaro 
Célia André da Cruz Oliveira 
Evanildo Oliveira  
José Luis Peçanha Rosa 
José Nereu Silva Leite
Josias Acioli Ferreira 
Juarez Dias Pedreiro 
Luis Carlos Ferreira de Abreu 
Marcia Dan Leiras 
Marco Antonio de A. Peixoto 
Mario César Marques de Amorim 
Orlando Cardoso Neto 
Paulo Fernando R. de Moraes 
Pedro Henrique Alexandre Neto 
Ricardo Chagas Teixeira 
Robert Roy Fulton 
Roberto Kelly Vidinha 
Silvio Tavares de Almeida 
Valfredo Penchel e Tresse 
Vânia Kastrup 
Verônica Patricia Nenartavis 

 

<a data-cke-saved-href="http://noticias.terra.com.br/infograficos/sistema-prisional-brasil/" href="http://noticias.terra.com.br/infograficos/sistema-prisional-brasil/">Sistema prisional do Brasil</a>
Terra