Polícia

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10 de novembro de 2011 • 00h29 • atualizado às 00h31

RJ: morte de juíza chegou a ser encomendada a milicianos

 

O plano inicial do grupo de policiais militares do Rio de Janeiro que executou a juíza Patrícia Acioli era contar com o apoio de milicianos na emboscada, disse nessa quarta-feira o inspetor da Divisão de Homicídios da Polícia Civil José Carlos Guimarães, ao depor na audiência de instrução do processo na 3ª Vara Criminal de Niterói, onde ocorreu o assassinato. Onze PMs - entre eles o ex-comandante do Batalhão da PM de São Gonçalo, o coronel Cláudio Luiz Silva de Oliveira - são acusados de envolvimento no crime.

Patrícia Acioli era juíza da 4ª Vara Criminal de São Gonçalo, na região metropolitana do Rio. Conhecida por condenar policiais militares envolvidos em assassinatos e outros crimes, como associação a milícias (organizações que reúnem policiais da ativa, ex-policiais e criminosos comuns), ela foi morta a tiros na madrugada de 12 de agosto deste ano, quando chegava em sua casa, em Niterói.

Segundo o inspetor, o tenente da PM Daniel Santos Benitez, acusado de ser o executor da morte da juíza, chegou a encomendar o crime a dois milicianos do Morro São José Operário, na Praça Seca, em Jacarepaguá, na zona oeste do Rio. Em troca, eles receberiam o espólio mensal - drogas, armas e dinheiro apreendidos em operações policiais e desviados para o Batalhão de São Gonçalo, sem serem apresentados à Polícia Civil para registro.

"Eles acusados traçaram um plano e trariam milicianos para matar a juíza. Então, eles abririam mão do espólio durante um mês para pagar os milicianos que matariam a juíza", disse Guimarães.

Ainda de acordo com o inspetor, o coronel Cláudio Luiz - na época do crime ele comandava o Batalhão de São Gonçalo - era "querido entre os milicianos" do Morro São José Operário. Além disso, assinalou Guimarães, Daniel Benitez era muito ligado ao coronel. "Durante a investigação, descobrimos que o tenente Benitez tinha o coronel Cláudio Oliveira como ídolo e era protegido por ele", disse.

Guimarães disse ainda que o plano não foi bem sucedido porque houve perda de contato com o grupo miliciano e também pela pressão dos demais policiais militares, principalmente depois que dois deles tiveram a prisão decretada pela juíza.

A audiência ocorreu em clima de tranquilidade. Um forte esquema de segurança foi montado no Fórum de Niterói. Todos os acusados estavam na audiência - entre eles, Cláudio Luiz e Daniel Benitez. Até o dia 18 são aguardados os depoimentos de 130 testemunhas de defesa e 14 de acusação, além do interrogatório dos réus.

Agência Brasil