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RJ começa a receber reforço policial a partir de 4ª, diz PRF

23 nov 2010
16h57
atualizado às 17h09

A pedido do governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral, o Ministério da Justiça determinou nesta terça-feira a transferência de agentes da Polícia Rodoviária Federal (PRF) de outros Estados para auxiliar o combate à recente escalada de violência na capital fluminense. Segundo a assessoria de imprensa da PRF, parte do reforço policial deve chegar ao Rio de Janeiro nesta quarta-feira.

"Boa parte (dos agentes) sai de seus Estados e chega amanhã ao Rio de Janeiro. Não podemos dizer que começam a trabalhar imediatamente, mas já haverá o deslocamento do efetivo em rodovias federais", afirmou nesta terça-feira o chefe de comunicação da PRF, inspetor Alexandre Castilho, que confirmou que a polícia já identificou as equipes disponíveis para atuar no Rio de Janeiro, mas evitou divulgar a quantidade e os Estados de origem dos agentes.

"O que se pode afirmar é que a estrutura de combate à criminalidade do Rio de Janeiro pode ser duplicada e até triplicada. Lógico que isso não inclui apenas o efetivo, mas fala também de recursos aplicados na área, viaturas, área de inteligência. Tudo isso compõe a estrutura que será ampliada", afirmou.

O Ministério da Justiça confirmou que o ministro Luiz Paulo Barreto recebeu um telefonema nesta manhã do governador Sérgio Cabral, que solicitou o reforço no policiamento das rodovias federais. Segundo a assessoria do ministério, o diretor-geral da PRF, Hélio Cardoso Derenne, desembarcou nesta tarde no Rio de Janeiro, onde se reunirá com representantes da área de segurança pública para definir os detalhes da operação.

Entre as medidas anunciadas pelo ministério está a redução das folgas dos policiais rodoviários federais e o pagamento de horas extras, além do remanejamento de agentes de outros Estados. Segundo Castilho, a PRF teve que fazer um levantamento de efetivo pelo País para saber onde existiam equipes disponíveis para encaminhamento imediato ao Rio. "São policiais especializados no enfrentamento da criminalidade", afirmou.

Atualmente, de acordo com Castilho, aproximadamente 150 agentes são empregados na área de fronteira seca do Brasil, do Acre até o Rio Grande do Sul, atuando na Operação Sentinela. "Essa estrutura já absorve boa parte do nosso pessoal de combate à criminalidade em outros Estados", disse.

Além das equipes especializadas e viaturas, a PRF destacou um helicóptero para apoio aéreo nas operações. "Em situações de blitz nas rodovias de acesso ao Rio de Janeiro, esse helicóptero pode identificar carros em atitude suspeita, comboios e veículos tentando fugir, podendo inclusive responder com o uso da força em caso de enfrentamento", afirmou.

"Hoje estamos disponibilizando os recursos financeiros necessários para que aconteça essa movimentação de efetivo. Chegando ao Rio de Janeiro, as equipes vão precisar de verbas mais vultosas, que aí sim vão ser disponibilizadas no momento adequado", disse Castilho.

Violência
A onda de ataques teve início na tarde de domingo, dia 21, quando seis homens armados com fuzis abordaram três veículos por volta das 13h na Linha Vermelha, na altura da rodovia Washington Luis. Eles assaltaram os donos dos veículos e incendiaram dois destes carros, abandonando o terceiro.

Enquanto fugia, o grupo atacou um carro oficial do Comando da Aeronáutica (Comaer) que andava em velocidade reduzida devido a uma pane mecânica. A quadrilha chegou a arremessar uma granada contra o utilitário Doblò. O ocupante do veículo, o sargento da Aeronáutica Renato Fernandes da Silva, conseguiu escapar ileso.

Ainda no domingo, em arrastão na Via Dutra, uma quadrilha armada bloqueou um trecho da pista sentido São Paulo, na altura de Pavuna, e roubaram um Kia Cerato e um Prisma. Na ação, uma das vítimas, identificada como Guilherme Feitosa da Silva, 26 anos, foi baleado na cabeça e levado em estado grave para o Hospital Getúlio Vargas.

Na manhã de segunda-feira, cinco bandidos armados atacaram motoristas no Trevo das Margaridas, próximo à avenida Brasil, em Irajá, também na zona norte. Os criminosos roubaram e incendiaram três veículos - uma van de passageiros que fazia o trajeto de Belford Roxo para o Centro, um Monza e um Uno. Também na segunda pela manhã, criminosos armados com fuzis atiraram em uma cabine da PM na rua Monsenhor Félix, em frente ao Cemitério de Irajá. A PM acredita que o incidente tenha sido provocado pelos mesmos bandidos que queimaram os carros no Trevo das Margaridas.

À noite, criminosos atearam fogo em outros dois veículos na rodovia Presidente Dutra, sentido Capital, na altura da Pavuna. Na zona norte, uma cabine da Polícia Militar (PM) foi metralhada próximo ao shopping Nova América, em Del Castilho.

Já na manhã desta terça-feira, dois homens foram mortos a tiros em um Honda Civic na rodovia Washington Luís, altura do km 122. A PM diz que não há relação entre este crime e os ataques anteriores.

O governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral, atribuiu a escalada de violência à atuação do Estado no combate à criminalidade nas favelas. "Sem dúvidas isso tem relação com a nossa política de segurança pública", afirmou, referindo-se à implantação de unidades de polícia pacificadora (UPPs).

Nesta terça-feira, a cúpula da Polícia Militar anunciou a operação "Fecha Quartel", que prevê colocar todos os homens nas ruas para reforçar o patrulhamento. A PM informou que reduzirá as folgas dos policiais gradativamente até o ano que vem, além de prometer a contratação de 7 mil policiais. Para o combate ao crime, a corporação ainda utilizará o Batalhão de Choque e 140 motocicletas.

Fonte: Redação Terra
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