Polícia

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24 de novembro de 2010 • 20h48 • atualizado em 25 de Novembro de 2010 às 02h12

Rio terá apoio logístico da Marinha contra onda de ataques

Homens tentam se proteger de balas perdidas de confronto na Vila Cruzeiro
Foto: AP
 

O ministro da Defesa, Nelson Jobim, autorizou nesta quarta-feira que o Comando da Marinha forneça apoio logístico ao governo do Rio de Janeiro, em ações de combate aos ataques de criminosos que atingiram diversos pontos do Estado e já deixaram 22 mortos, segundo a polícia. O pedido foi feito pelo governador do Estado, Sérgio Cabral (PMDB).

Segundo a pasta, o pedido não envolve mobilização de tropas da Força, mas apenas meios de transporte e a guarnição necessária à operação e manutenção dos veículos. Em entrevista ao Jornal Nacional, Cabral confirmou o apoio da Marinha e afirmou os presídios de segurança máxima têm um papel estratégico na segurança pública. Apesar de a ordem para os ataques ter saído destas instituições, segundo a Polícia Militar, os presos nas operações dos últimos dias serão encaminhados para presídios de alta segurança.

"Estamos atentos. Isso é um ato de desespero, de desarticulação dos criminosos. Eles estão perdendo território e vendo enfraquecer os negócios ilícitos", disse. Cabral ainda salientou que a Unidade de Polícia Pacificadora (UPP) do Morro dos Macacos será inaugurada na próxima semana, mesmo com a onda de violência na cidade.

Presídios federais
Questionado sobre a decisão de mandar os presos nas operações de combate à onda de violência diretamente para um presídio de segurança máxima, Cabral afirmou que a medida "é para demonstrar que essas pessoas estão cometendo um atentado de segurança à sociedade".

Ainda de acordo com ele, os presídios de segurança máxima cumprem um papel estratégico, apesar das suspeitas de a ordem para os ataques ter partidos de líderes de facções presos na unidade de Catanduvas, no Paraná. "É exatamente na hora das visitas que a lei permite que esses presos recebam, que eles passam os recados aos criminosos do Rio de Janeiro", disse. Mas, segundo ele, a sociedade "se livra da proximidade dessas pessoas".

Violência
A onda de ataques teve início na tarde de domingo, dia 21, quando seis homens armados com fuzis abordaram três veículos por volta das 13h na Linha Vermelha, na altura da rodovia Washington Luis. Eles assaltaram os donos dos veículos e incendiaram dois destes carros, abandonando o terceiro.

Enquanto fugia, o grupo atacou um carro oficial do Comando da Aeronáutica (Comaer) que andava em velocidade reduzida devido a uma pane mecânica. A quadrilha chegou a arremessar uma granada contra o utilitário Doblò. O ocupante do veículo, o sargento da Aeronáutica Renato Fernandes da Silva, conseguiu escapar ileso.

Ainda no domingo, em arrastão na Via Dutra, uma quadrilha armada bloqueou um trecho da pista sentido São Paulo, na altura de Pavuna, e roubaram um Kia Cerato e um Prisma. Na ação, uma das vítimas, identificada como Guilherme Feitosa da Silva, 26 anos, foi baleado na cabeça e levado em estado grave para o Hospital Getúlio Vargas.

Na manhã de segunda-feira, cinco bandidos armados atacaram motoristas no Trevo das Margaridas, próximo à avenida Brasil, em Irajá, também na zona norte. Os criminosos roubaram e incendiaram três veículos - uma van de passageiros que fazia o trajeto de Belford Roxo para o Centro, um Monza e um Uno. Também na segunda pela manhã, criminosos armados com fuzis atiraram em uma cabine da PM na rua Monsenhor Félix, em frente ao Cemitério de Irajá. A PM acredita que o incidente tenha sido provocado pelos mesmos bandidos que queimaram os carros no Trevo das Margaridas.

À noite, criminosos atearam fogo em outros dois veículos na rodovia Presidente Dutra, sentido Capital, na altura da Pavuna. Na zona norte, uma cabine da Polícia Militar (PM) foi metralhada próximo ao shopping Nova América, em Del Castilho.

Já na manhã de terça-feira, dois homens foram mortos a tiros em um Honda Civic na rodovia Washington Luís, altura do km 122. A PM diz que não há relação entre este crime e os ataques anteriores.

O governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral, atribuiu a escalada de violência à atuação do Estado no combate à criminalidade nas favelas. "Sem dúvidas isso tem relação com a nossa política de segurança pública", afirmou, referindo-se à implantação de unidades de polícia pacificadora (UPPs).

Na terça-feira, a cúpula da Polícia Militar anunciou a operação "Fecha Quartel", que prevê colocar todos os homens nas ruas para reforçar o patrulhamento. A PM informou que reduzirá as folgas dos policiais gradativamente até o ano que vem, além de prometer a contratação de 7 mil policiais. Para o combate ao crime, a corporação ainda utilizará o Batalhão de Choque e 140 motocicletas.

Redação Terra